Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad

A Vinha de Nabote


Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2013

Lição 7

introdução
 
Na sequência de estudos sobre o ministério do profeta Elias, estudaremos hoje o episódio da tomada por Acabe e Jezabel da vinha de Nabote. A história de Nabote é única nas Escrituras, esse enredo reúne inveja, ódio, cobiça, falso testemunho, intriga, facção, mentira, raiva, homicídio e rancor. Também encontramos nele zelo, compromisso, amor, respeito, consideração, carinho, cuidado, humildade, dedicação e coragem, sendo esses últimos uma referencia á Nabote. Acabe, rei de Israel, tinha um palácio em Jezreel. Perto desse palácio havia uma plantação de uvas que pertencia a um homem chamado Nabote. Acabe matou Nabote e apropriou-se de suas terras. Todavia, não pôde usufruir do fruto de seu pecado, porque o Senhor, através do profeta Elias, o denunciou e o disciplinou. Cobiçar é um pecado muito perigoso. É ter ciúmes, é invejar o que alguém possui e que você não tem, mas deseja mesmo que ilicitamente. Isso não é bem visto aos olhos do Senhor. Este episódio da combalida história do rei Acabe revela a manifestação da justiça divina ante as injustiças dos homens. Não obstante sofrermos aqui com desmandos governamentais, injustiças sociais, abandono e muitas outras mazelas impostas por uma sociedade desigual, é um bálsamo para a alma oprimida, saber que um Rei justo governa todo o universo – “Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel” (Sl 121.4). Tenham todos uma excelente, proveitosa e abençoada aula!
 
I – O OBJETO DA COBIÇA
 
1. O direito a propriedade no Antigo Israel. De acordo com o livro de Levítico, a terra pertencia ao Senhor (Lv 25.23). Desde tempos bem antigos, os direitos de propriedade ou donos de terras (hebraico beʽa·lím, donos) têm sido reconhecidos. Abraão negociou com Efrom, o hitita, uma sepultura para sua esposa Sara, e, por fim, comprou um campo por certa importância declarada, sendo a transação legalizada diante do povo da cidade (Gn 23.1-20). Durante uma fome no Egito, José comprou para Faraó terras dos proprietários egípcios, em troca de alimentos (Gn 47.20-26). Jó, fiel servo de Deus, que morava na terra de Uz, possuía propriedades hereditárias, incluindo sem dúvida terras que ele legou a seus filhos e suas filhas (Jó 1.4; 42.15). Entretanto, YAHWEH é o Supremo Proprietário de Terras, e seus modos de lidar demonstram que os humanos têm de prestar contas a ele pela maneira em que usam Sua propriedade (Lv 25.23; Sl 24.1; 50.10-12). O reconhecimento do real direito de propriedade do Senhor também impedirá que alguém tente adquirir a posse de terras de forma gananciosa ou ilícita. (Pv 20.21; 23.10,11) Assim sendo, ele não poderia vender aquilo que lhe fora dado como herança divina. O livro de Números destaca esse fato: “Assim, a herança dos filhos de Israel não passara de tribo em tribo; pois os filhos de Israel se chegarão cada um a herança da tribo de seus pais” (Nm 36.7).
2. A herança de Nabote. Talvez não entendamos adequadamente o desenrolar dessa história, o porquê da resistência de Nabote em negociar com o rei e naturalmente, pensemos que um rei não teria achado dificuldade para garantir uma herança de família para Nabote, em algum outro lugar, e que talvez até Nabote saísse ganhando nas negociações. No entanto, pelo que temos visto sobre Acabe até aqui, Nabote parece ter temido a sinceridade do rei, e simplesmente não quis entabular negociações. Todavia, Nabote não foi motivado por sentimentos de deslealdade ou por falta de respeito ao rei, senão por uma consideração consciente da lei divina, a qual por razões de segurança muito além de sua época, havia proibido a venda de uma herança paterna; mesmo que por extrema pobreza ou dívida, fosse inevitável a venda dela, a transferência era feita sob a condição de que fosse resgatada a qualquer momento; e em todo caso, que seria devolvida a seu dono no ano do jubileu. Enfim, não poderia ser desanexada da família, e foi por esse motivo (v.3) que Nabote se negou a cumprir a demanda do rei. Não foi, pois, alguma ignorância ou falta de respeito que irou e desgostou a Acabe, senão seu espírito egoísta que não podia tolerar ser frustrado em seu propósito. Contudo, Jezabel, sua esposa, que viera de uma nação pagã, que não possuía uma legislação tão “avançada” que protegesse o povo contra os desmandos dos tiranos, ficou escandalizada com esse fato, pois entre os reinos gentios os governantes não eram apenas soberanos, eram também tiranos (1 Rs 21.5-7) e podiam apoderar-se, mesmo que inescrupulosamente e a seu bel-prazer, do que bem desejassem, porque em teoria, toda a propriedade pertencia à família real. O Comentário Bíblico Matthew Henry afirma: “Acabe estava descontente em um palácio. Tinha a sua disposição todos os prazeres de Canaã, esta terra aprazível e desejável; tinha a riqueza de um reino, e os prazeres de uma corte, a honra e o poder de um trono. contudo, nada lhe poderia servir se não tivesse a vinha de Nabote” [1° Reis pp.37, 38.]. Na verdade, Acabe estava a propor a Nabote a desobediência à lei do Senhor e Nabote, que servia a Deus, não se deixou impressionar com o rei, preferindo ser obediente a Deus a ter vantagens passageiras nesta vida. Quantos, no entanto, em nossos dias, sucumbem às indecentes e antibíblicas propostas dos reis da terra e deixam a Cristo Jesus por causa das ofertas malignas que lhe são apresentadas? Será que temos agido como Nabote?
 II AS CAUSAS DA COBIÇA
 
1. A casa de campo de Acabe. Segundo a narrativa bíblica a vinha de Nabote estava localizada num lugar privilegiado, perto do palácio de campo de Acabe, pois o outro palácio ficava em Samaria “E sucedeu depois destas coisas que, Nabote, o jezreelita, tinha uma vinha em Jezreel junto ao palácio de Acabe, rei de Samaria” (1Rs 21.1). Jezreel (Heb. Yizre‘e`l, `Deus semeia`), cidade não identificada na região montanhosa de Judá, talvez fundada por algum descendente de Judá (1Cr 4.1, 3 (Js 15.20, 48, 56). Dessa cidade vinha a mulher de David, Aquinoã (1Sm 25.43; 1Sm 27.3). Localizava-se na fronteira do território de Issacar (Js 19.17,18). Atualmente, Jezreel é identificada com Zerʽin (Tel Yizreʽel), 39 km a norte de Samaria, próximo ao monte Gilboa. Jezreel serviu como residência real para o rei Acabe e para seu sucessor, Jeorão. (1Rs 18.45,46; 21.1; 2Rs 8.29). Foi na vinha de Nabote, que o profeta Elias proferiu o julgamento de YAHWEH contra a casa de Acabe (1Rs 21.17-29).
2. A horta de Acabe. A Bíblia nos mostra que os pecados de Acabe não se resumiram ao casamento pagão e a idolatria. Este rei perverso também cometia injustiças sociais. Acabe cobiçou a vinha de Nabote e intentou adquiri-la. A palavra “cobiçar” no hebraico “epithumeõ” significa, “fixar o desejo em” (formado de epi, “sobre”, usado intensivamente, e thumos, “paixão”), quer de coisas boas ou ruins, por conseguinte, “almejar, desejar ardentemente, ambicionar”, é usado em (At 20.33) com o significado de “desejar mal”, acerca de “desejar dinheiro e vestuário”.
III – O FRUTO DA COBIÇA
 
1. Falso testemunho. A reação imediata de Nabote em negar-se a negociar sua propriedade em virtude de ser uma herança sagrada que o Senhor lhe havia dado, deixou Jezabel enfurecida e desnorteada com tamanho resrrespeito para com o rei, o soberano de Israel – segundo aprendera na pagã Canaã, um rei podia apoderar-se de propriedades e de objetos pessoais pertencentes a outrem a seu bel-prazer já que tudo lhe pertencia e os súditos eram apenas mordomos. Em Israel era YAHWEH o verdadeiro dono de tudo. Para aquela mulher, era um acinte aquele súdito negar-se ceder ao rei um simples pedaço de terra, e logo planejou punir esse inssubmisso e tomar o que “por direito pertencia ao rei”. Acabe, embora com relutância, já se dispunha a aceitar a decisão de Nabote; mas Jezabel, a rainha de Acabe, não concordou com isso. Ao perceber o que aconteceu, a maligna esposa do rei orquestrou uma farsa para que o rei tivesse um pouco de alegria: escreveu cartas ordenando que homens maus acusassem Nabote de ter blasfemado do Senhor e do rei, para que fosse apedrejado e morto. Seu ardiloso plano foi cumprido sem nenhum embaraço. Para que não houvesse dificuldades futuras com a herança de Nabote, ele e seus filhos foram apedrejados e mortos (2Rs 9.26).
2. Assassinato e apropriação indevida. Jezabel, com a cumplicidade de Acabe fomentou a apreensão entre os habitantes da cidade, porquanto um jejum era uma reação característica diante de uma crise ou de uma grande transgressão (Jz 20.26; 1Sm 7.5,6; 2Cr 20.3 Jn 3.5,7-9). Quantas vezes a Bíblia e usada para justificar praticas pecaminosas! “Jezabel planejou um esquema que parecia legal, a fim de conseguir a terra para seu marido. Eram exigidas duas testemunhas para se estabelecer a culpa, e o castigo pela blasfêmia era morte por apedrejamento. Os que torcem a lei e os procedimentos legais para conseguir o que querem em nossos dias podem ser mais sofisticados em seu procedimento; porem, ainda são culpados do mesmo pecado”[APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de estudo. CPAD pag.498]. “Quando, ao invés de uma ajudadora idônea, o homem tem uma esposa inescrupulosa e enganosa, que assume a forma de um agente do Diabo, ainda que seja amada, os efeitos esperados podem ser fatais. Jamais os príncipes haviam dado ordens mais perversas, do que as que foram estabelecidas por Jezabel aos príncipes de Jezreel. Nabote deveria ser assassinado sob o pretexto da religião. Não existe maldade tão vil e horrenda; porem, às vezes, a religião tem sido tomada para encobrir fatos como este. Além do mais, deve ser feita sob a aparência de justiça, e com as formalidades do processo legal”[HENRY. Matthew. Comentário Bíblico. 1º Reis p.37]. O terrível plano foi cumprido sem nenhum impedimento. Para que não houvesse dificuldades futuras com a herança de Nabote, ele e seus filhos foram apedrejados (II Rs 9.26). Perceba quais os males que seguiram a cobiça deste casal: (a). MENTIRA: – Os anciãos resolveram atender aos intentos de Jezabel. Como podemos ver sempre há homens prontos a venderem seu testemunho por dinheiro a fim de que sirva aos maus propósitos daqueles que os alugam.“E os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que habitavam na sua cidade, fizeram como Jezabel lhes ordenara, conforme estava escrito nas cartas que lhes mandara”(I Rs 21.11); (b). FALSO TESTEMUNHO: – O veredito de morte já estava predeterminado, por Jezabel. Mas, era necessário elaborar  um falso julgamento com um simples aspecto de justiça, para que, à vista do povo, desse a impressão de ser um julgamento leal, arranjou-se duas testemunhas, conforme pedia a Lei (Dt 17.6,7); mas eram falsas. “E ponde defronte dele dois filhos de Belial, que testemunhem contra ele” (I Rs 21.10-a); (c). ASSASSINATO: – Por fim, a trama culminou na execução de Nabote, pois o levaram para fora da cidade e o apedrejaram. A injustiça estava claramente executada, pois Nabote foi executado por um crime que jamais cometeu “Então mandaram dizer a Jezabel: Nabote foi apedrejado, e morreu” (I Rs 21.14).[http://www.portalebd.org.br/classes/jovens-e-adultos/item/2062-1%C2%BA-trim-2013-li%C3%A7%C3%A3o-7-a-vinha-de-nabote-v]
 IV – AS CONSEQUÊNCIAS DA COBIÇA
 
1. Julgamento divino. Nabote estava religiosa e legalmente certo ao conservar a propriedade dos seus ancestrais (cf. Lv 25.10-17, 23-24, 34). Acabe percebeu isso. Porem, sua ímpia cobiça o dominou. Jezabel zombou das regras religiosas israelitas, 5-7, e concebeu um plano diabólico para assassinar Nabote e tomar sua vinha, 8-14. Acabe foi levado a ruína pela ímpia esposa. [MERRILL. Frederick Unger. Manual Bíblico Unger. Editora Vida Nova. p.176]. O texto nos mostra que o nosso Deus é em primeiro lugar onisciente. Acabe fez suas ações sem o conhecimento do povo, mas não de Deus. Ele inspeciona todas as ações dos homens. Ele é um Deus que perscruta todas as nossas motivações. Isso nos leva à conclusão que nada está oculto aos seus olhos. Por outro lado, o relato nos mostra que o Senhor é grande juiz. Ele faz com que experimentemos o amargor de nossas ações quando elas estão erradas. Essa passagem também demonstra que todo julgamento atende ao propósito de Deus. [GONÇALVES, José. Porção Dobrada, CPAD 2012 p.90].
2. Arrependimento e morte. O que houve com o arrogante rei Acabe? Agora anda vestido de panos de saco e traz cinza sobre a cabeça? Será que arrependeu-se de seus maus caminhos? As palavras contundentes do profeta Elias vieram-lhe ao coração e o rei, pela vez primeira, percebeu que havia um Deus em Israel que era Todo-Poderoso, que tinha o controle de todas as coisas. “Elias reprova Acabe e coloca o seu pecado diante de seus olhos. A condição do homem que se coloca na posição de inimigo da Palavra de Deus é extremamente desgraçada; os que estimam como seus inimigos os ministros da Palavra, por estes lhes dizerem a verdade, em breve estarão em desespero.” [HENRY. Matthew. Comentário Bíblico. 1º Reis p.37]. Embora Matthew Henry afirme em seu Comentário Bíblico, que o arrependimento de Acabe não foi genuíno, que o seu coração não se humilhara nem mudara e que seu arrependimento era somente exterior, para ser visto pelos homens (HENRY. Matthew. Comentário Bíblico. 1 Reis pp. 37, 38), acredito que o juízo divino proferido através de Elias, realmente mudou a atitude de Acabe, pelo fato do testemunho dado pelo Senhor no verso 29, e pela revisão da punição que Deus havia decretado nos versículos 21-24. É a primeira vez que vemos Acabe buscando ao Senhor nas Escrituras (1Rs 21.27). Não nos é revelado quanto tempo Acabe se comportou assim, arrependido, mas o fato é que esta humilhação foi sincera e comoveu o Senhor, a ponto de Ele ter dito a Elias que, por causa desta humilhação, o mal profetizado não se daria nos dias de Acabe, mas, sim, nos dias de seu filho (1Rs 21.29). A penalidade não foi rescindida, mas foi adiada por uma geração, devido à misericórdia de Deus.
 CONCLUSÃO
 
Findamos o relato do Cronista em 1Rs, lendo algo que pareceria impossível no início do relato sobre o reinado do perverso Acabe: ele reconhecia, finalmente, a soberania de Deus, inclusive sobre a Sua própria vida, mas não quis se entregar e servir a Deus. Por isso, seu triste fim não foi alterado, não foi modificado. Que não sejamos como Acabe e que estejamos prontos não só a reconhecer que Ele é o Senhor, mas a fazer-Lhe a vontade. Concluo dizendo que esta lição é um alerta quanto ao pecado da cobiça. Se não lembrarmos da recomendação de Paulo – “Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria” (Cl 3.5), esse terrível sentimento encontrará guarida no coração do salvo. Aqueles que enveredam por esse caminho, receberão a devida recompensa, pois Deus julgará os segredos dos homens naquele Dia (Rm 2.16; 1Co 14.25). N’Ele, que me garante: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8)
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