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A Longa Seca Sobre Israel


Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2013

Lição 3

introdução
 
Em Israel, Acabe promove uma grosseira e desenfreada idolatria: adoravam-se os bezerros de ouro erigidos em Dã e Betel, em Samaria havia um templo dedicado a Baal, e por todo o reino levantaram “postes-ídolos” de Baal. Os sacerdotes de Baal passaram a dominar a vida religiosa de Israel e um dito popular tornou-se audível: “Baal vive e YAHWEH já não existe mais”. Esta era a situação de Israel naquele tempo: não apenas isso, mas isso fornece a chave para tudo o que se segue. Nesse contexto de reis ímpios e idólatras surge Elias, chamado para servir como porta-voz de Deus na ocasião em que o reino do norte havia alcançado sua mais forte posição econômica e política. Sua primeira missão foi enfrentar o rei Acabe com o aviso de uma seca iminente, lembrando que o Senhor Deus de Israel, a quem ele havia ignorado, tinha o controle da chuva na terra onde viviam (Dt 11.10-12). Tiago cita esse episódio ao falar sobre o poder da oração e diz que embora Elias tivesse um ministério especial no Antigo Testamento, ele participou da humildade em comum com todos. A sua vida de oração eficaz é um modelo para todos os crentes. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!
 I. O PORQUÊ DA SECA
 
1. Disciplinar a nação. O paganismo de Jezabel unia prostituição e homossexualismo com religião e religiosidade. Esta é uma das principais razões pelas quais Jezabel é conhecida como prostituta. E na verdade o era, entretanto, uma hieródula, ou prostituta sagrada do casal herogâmico Baal e Astarte; seu culto envolvia prostituição sagrada, falolatria, sacrifícios de crianças, ervas alucinógenas, feitiçaria entre outros desvios grosseiros (2Rs 9.22). A adoração desses ídolos envolvia os elementos mais bestiais da natureza humana. As estátuas de Baal se assemelhavam a um órgão sexual masculino, enquanto os altares de Astarote tinham a forma do órgão sexual feminino. E, segundo a tradição fenícia e canaanita, o rei e a rainha eram elementos indispensáveis nessas festividades, pois a presença deles assegurava o favor das divindades cultuadas. O redator das crônicas dos reis afirma que Jezabel incitava o rei Acabe para fazer o que era “mau aos olhos do Senhor” (1 Rs 21.25), de maneira que a Bíblia diz o seguinte de Acabe: “E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele…” (1Rs 16.30,31). Embora Acabe tenha sido um rei politicamente forte e muito poderoso, moralmente foi muito fraco e andou nos caminhos idólatras de seu pai, que foi um seguidor de Jeroboão, filho de Nebate (1 Rs 16.26) e também aderiu aos maus costumes dos cananeus, trazidos por sua esposa, Jezabel (1 Rs 16.31). É nesse contexto apóstata que Elias é levantado para dizer a Israel que YAHWEH traria a nação ao arrependimento. A oração de Elias no monte Carmelo revela que o ato humano do arrependimento não é possível sem a graça de Deus (1Rs 18.37).
2. Revelar a divindade verdadeira. A nação que Deus chamara para ser sua tinha se voltado contra Ele. Trocaram a adoração a Deus pelos ídolos de um povo que no passado tinham vencido em seu nome. Baal era o deus cananeu da tempestade e era considerado providencial por enviar chuvas e fertilidade à terra, semeando assim a vida. Os seguidores de Baal acreditavam que ele controlava o trovão, o relâmpago e a tempestade, o desafio de Elias atingiu o âmago desse poder alegado. Essa seca profetizada por Elias questionou a capacidade de Baal controlar as condições climáticas. A. W. Pink em seu livro DEUS É SOBERANO faz a seguinte pergunta: “Quem está no controle de tudo quanto se passa no mundo? Deus ou Satanás?”, e em seguida prossegue: “Muita gente pensa que Deus é somente rei no céu, porém não pensa que Ele é o criador do mundo e também não acreditam que controle todas as coisas que acontecem nele”. A bíblia afirma que Deus está em completo controle de tudo: “Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos.” (1Cr 29.11). Ao afirmar que Deus é soberano, diz-se que Ele tem poder absoluto sobre tudo, que é o Supremo, o Grande Rei, que faz a sua vontade no céu e na terra, e não existe mas ninguém que possa deter a sua mão e Lhe dizer: “O que fazes?” A ausência de chuva e de orvalho será menos uma punição pela impiedade de Israel do que um sinal de YAHWEH de que é ele, e não Baal quem concede a chuva necessária à vegetação e à vida. O capítulo 18 ressaltará a onipotência e o domínio do SENHOR sobre os elementos. As profecias de Oséias afirmam a mesma verdade.
II. OS EFEITOS DA SECA
 
1. Escassez e fome. A seca ameaçava o governo de Acabe, porquanto o exército dependia desses animais, por exemplo, nas forças de carros de combate. A reação de Acabe à seca foi prática, pois tentou descobrir água ao invés de procurar chegar até ao âmago da questão: quem é soberano sobre a natureza e a vida (1Rs 18.5). As descobertas arqueológicas tornaram célebres as estrebarias reais de Acabe em Hasor e Megido; como essas representavam a arma mais eficaz do reino, não parece por demais surpreendente que o rei em pessoa e o intendente do palácio cuidem pessoalmente de sua subsistência em época de crise.
2. Endurecimento ou arrependimento. Acabe via Elias como um perturbador da ordem, uma ameaça ao funcionamento normal da sociedade. Sua compreensão dos fatos era superficial. O termo hebraico traduzido como “perturbador” é “’akhar”, de difícil equivalência. Denota uma situação religiosa anormal, insustentável e originada por uma ação maléfica. Acabe responsabiliza Elias de ter mergulhado Israel em tal situação por haver ordenado a seca (17.1). Elias, por sua vez, acusa Acabe de ter provocado, por sua idolatria, a desgraça de Israel. A questão não se trata apenas de decidir entre Baal e YAHWEH, quem é o mais poderoso, mas em sentido absoluto, qual deles é Deus. É a fé monoteísta que estava em jogo. O sacrifício do Carmelo provará que YAHWEH é o único Deus, que converte a ele os corações. O Juízo divino, proferido através de Elias, mudou a atitude de Acabe. Os atos de rasgar as vestes e de usar pano de saco eram sinais de profunda lamentação e arrependimento (Gn 37.34; 2Sm 3.31; 2Rs 6.30; Lm 2.10; Jl 1.13). Essa atitude de Acabe retardou o desterro do Reino do Norte. Deus reviu a punição que tinha decretado em 1Rs 21.21-24. A penalidade não foi rescindida, mas foi adiada por uma geração, devido à misericórdia de Deus.
 III. A PROVISÃO DIVINA NA SECA
 
1. Provisão pessoal. Embora Elias estivesse no deserto o Senhor podia prover para ele da mesma forma como fizera em favor da nação de Israel, séculos antes, durante o Êxodo do Egito (Êx 16.4-36). Ironicamente Israel estava na terra prometida, mas se esqueceu de quem a sustentava. Elias isolou-se e caminhou em direção a leste do Rio Jordão. Nesse lugar, ele foi sustentado pelas águas do ribeiro de Querite e pelo pão e carne milagrosamente fornecidos pelos corvos. É possível que esse “ribeiro” (nahal) seja o profundo vale do Rio Jarmuque, ao norte de Gileade. Quando o suprimento de água terminou por causa da seca, Elias foi divinamente instruído a ir até Sarepta, na Fenícia, onde seria sustentado por uma viúva cuja reserva de farinha e óleo havia sido milagrosamente aumentada até que a estação das chuvas fosse restaurada à terra.
2. Provisão coletiva. Depois de uma das muitas confrontações com o rei Acabe e com a rainha Jezabel, Deus instruiu Elias a ir até a terra próxima à cidade natal de Jezabel, à casa de uma viúva a quem o Senhor havia ordenado que tomasse conta do profeta. Prestes a perecer pela fome, essa mulher viu a mão do Deus de Israel agir em seu favor. Obadias (Obadiáhu), intendente do palácio, temente à YAHWEH, foi instrumento nas mãos do Senhor para prover proteção e sustento naqueles dias difíceis para os que não haviam apostatado da fé em YAH. Obadias era um exemplo dos sete mil homens fiéis a YAHWEH, de que Elias não tinha conhecimento (1Rs 19.18). Mesmo onde há rejeição, Deus reserva para si um remanescente fiel e cuida dele. (Rm 11.1-10).
IV. AS LIÇÕES DEIXADAS PELA SECA
 
1. A majestade divina. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.” (Ap 4.11). Deus, quem fez todas as coisas, é absolutamente soberano. Ele faz o que Lhe apraz e efetua a Sua própria vontade. Ele fez todas as coisas para Si mesmo, e possui também o direito de fazê-lo assim, porque Ele é o Deus Todo Poderoso. Porém Deus não só fez todas as coisas pelo seu próprio poder soberano, senão que também governa tudo. Deus está controlando ainda aquelas coisas que não têm vida como o clima, o vento e o mar. Quando Deus disse “Seja feita a luz”, a luz foi feita. Quando Deus disse que enviaria um dilúvio sobre o mundo antigo devido à depravação dos seus habitantes, então o dilúvio veio. Quando Deus trouxe as pragas sobre o Egito, a luz tornou-se obscuridade, as águas converteram-se em sangue e grandes pedras de saraiva caíram. Deus estava controlando todos esses eventos. Existem muitos exemplos na Bíblia de como Deus tem controlado todas aquelas coisas que não têm vida. O forno do rei Nabucodonosor foi esquentado sete vezes a mais do costume, e três dos filhos de Deus foram arrojados dentro dele, e o fogo nem sequer queimou as suas vestes, embora sim tivesse matado os homens que os lançaram no forno. Quando os discípulos iam com o Senhor Jesus Cristo numa pequena barca e a tormenta atemorizou-os, Jesus disse à tempestade: “Seja a paz”, e então o vento cessou e o mar acalmou-se. Deus controla o clima, porque Ele envia o gelo, a neve e o vento. Ele envia e detém a chuva. Todas estas coisas inanimadas obedecem a voz de Deus e assim executam a Sua soberana vontade. Quando nos queixamos do clima, em verdade estamos queixando-nos da vontade de Deus! Em 1 Reis 17.2-4 lemos que Deus disse ao seu profeta Elias que fosse viver perto de um ribeiro, onde uns corvos o alimentariam. Há muitas outras histórias como estas na Bíblia, que demonstram que Deus controla todas as coisas. [b]
2. O pecado tem o seu custo. Ora, havia uma passagem específica nos livros das Escrituras daquela época que parece ter chamado a atenção de Elias: “Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; que a ira do SENHOR se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe” (Dt 11.16,17). Era exatamente esse o crime do qual Israel era agora culpado: eles tinham se desviado para adorar deuses falsos. A Bíblia ensina claramente que as ações de cada pessoa, sejam boas ou más, são controladas pelo Deus soberano. Os homens podem pensar que eles são mais fortes que Deus, rebelando-se talvez contra Ele, porém Deus ri de sua debilidade e do néscio que resultam. Ele é tão poderoso que pode destruí-los no momento em que assim o deseje. A questão do pecado se reveste de importância capital pela simples razão de que seu conceito está diluído em nossa cultura. Para modernas correntes da Psicologia, o homem não pode ser responsabilizado por seus atos por ser produto do ambiente. Então, não existe uma coisa chamada “pecado”. Diz até uma música popular brasileira: “Não existe pecado do lado de baixo do Equador”. Pecado é uma atitude diante de Deus, bem mais do que atos. É desobediência e rebelião. O pecador nunca é um coitado ou uma vítima do meio, da deseducação ou produto da falta de oportunidade, no ensino do Antigo Testamento. É alguém que é pecador porque optou pelo pecado. E o preço do pecado é a morte, eterna. Aqueles que, com seus atos, estão rebelados contra Deus, estão sob a ira e o juízo de Deus (Sl 1.5) e enfrentam destruição total (Gn 13.13; Sl 104.35; Is 1.28). Na história de Caim e Abel, o pecado aparece como um animal, pronto a atacar, espreitando “à porta” do coração de Caim, uma fera que fica de emboscada esperando uma oportunidade de atacar. (Gn 4.7).
CONCLUSÃO
 
Não podemos entender a estiagem que caiu sobre Israel como castigo divino; ela foi consequência do pecado, da apostasia, do abandono do culto a YAHWEH. Toda dor e sofrimento causados pela estiagem não tiveram outra origem que não o erro de Israel, e Israel errou não porque não ouviu ou não entendeu, mas porque desobedeceu e se rebelou contra aquele que os plantou naquela terra, “terra que mana leite e mel” – mas que sem a provisão de Deus, só produzia cardos e espinhos. A seca profetizada por Elias questionou a capacidade de Baal controlar as condições climáticas. Serviu para trazer o povo à razão e ao entendimento de que a estiagem só poderia cessar com a intervenção do verdadeiro Deus, e Ele só agiria se houvesse conversão; muito embora sua misericórdia impeça a pessoa de ter o que merece (no caso, o julgamento); a graça lhe dá o que não merece – a salvação; YAHWEH traria a nação ao arrependimento.Deus preservou um pequeno remanescente como evidência de que Ele não abandonou totalmente o seu povo, sempre haverá um remanescente!
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