Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad


4º trimestre de 2012:

Lição 4

introdução
Pastor de ovelhas em Judá, Amós recebeu um pesado fardo (Amós(עמןס)=Aquele que suporta o jugo): foi enviado por Deus para a nação de Israel, durante o reinado próspero de Jeroboão II, para alertar o povo que Deus estava prestes a destruí-los. Sua mensagem parecia sem sentido, numa nação que gozava prosperidade, paz e segurança. O povo ficou perturbado pela sombria mensagem deste pregador estrangeiro. Até mesmo os líderes religiosos, que deveriam compartilhar a nobre missão de Amós, rejeitaram-no e a sua pregação. Foi aconselhado pelo sacerdote Amazias para que voltasse para Judá e que nunca mais profetizasse em Israel (7.10-13). Amós replicou:”Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. Ora, pois, ouve a palavra do Senhor. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque. Portanto, assim diz o Senhor….” (7:14-17). Amós não foi criado para ser um profeta. Ele não recebeu treinamento especial em alguma escola para formar profetas. Ele era apenas um homem comum, que proclamou uma mensagem de Deus. Reis e sacerdotes não gostaram de sua mensagem, mas era a verdade. Atual, o livro de Amós tem lições para hoje. 
I. O LIVRO DE AMÓS
1. Contexto histórico. Natural de Técoa, situada nas colinas do reino de Judá, distante cerca de 8 km ao sul de Belém e a 16 km de Jerusalém, era pastor e também cultivava sicómoros (1.1; 7.14) (Ficus sycomorus, conhecida pelos nomes comuns desicômoro ou figueira-doida, é uma espécie de figueira de raízes profundas e ramos fortes que produz figos de qualidade inferior, cultivada no Médio Oriente e em partes da África há milênios. A árvore é por diversas vezes citada na Bíblia, tendo o seu nome vulgar na maioria das línguas europeias derivado do hebraico “shikmah” através do grego “sukomorea). Aparentemente, o seu trabalho de pastor faz dele uma pessoa pobre e inculta. Mas, lendo o seu livro, fica claro que ele conhecia bem a geografia e certos acontecimentos em nações vizinhas, a História sagrada de Israel e toda a problemática social, política e religiosa de Israel. Ele era um homem de família humilde. Ele profetizou durante os reinados de Uzias, rei de Judá, e foi contemporâneo de Isaías e Oséias, que viveram alguns anos a mais que ele. Sob Jeroboão II, o reino de Israel atingiu o máximo de sua prosperidade, mas isto foi acompanhado do aumento da luxúria, do vício e da idolatria. Neste momento, Amós foi convocado por Deus para lembrar ao povo da sua Lei, da retribuição da sua justiça e para chamar o povo ao arrependimento. Seu ministério foi realizado entre 760 e 750 a.C. e parece ter ocorrido em menos de dois anos.
2. Vida pessoal. Amós era um homem de diversos ofícios: pastor (1.1), boieiro e colhedor de sincomoros (7.14). Embora tenha vivida num meio rural e aparentemente isolado de conhecimento, ele certamente conhecia as nações vizinhas e estava familiarizado com o contexto histórico internacional (1.3-2.3). Também conhecia do povo da aliança de Deus e a própria aliança, como o demonstram suas inúmeras referencias à Lei. Amós não estudou para ser profetas (7.14), mas o Senhor soberanamente o chamou para esse ofício. Seu ministério foi voltado, principalmente, para o reino do norte, Israel (7.15), cujo centro religioso era Betel, embora suas profecias também tenham sido endereçadas aos pecados de Judá (2.4,5; 9.11). Ele foi o primeiro dos assim chamados profetas escritores do século VIII a.C.
3. Estrutura e mensagem. Amós mostra como o pecado trazia uma situação de violência, corrupção e injustiça social sem medida na sociedade israelita e que, apesar da prosperidade material vivida, Deus chamaria o povo para um acerto de contas, como acabou ocorrendo. Depois do título (1.1) e de um breve prólogo (1.2), o livro de Amós pode ser melhor divido em quatro partes:
I. Oráculos contra sete nações vizinhas de Israel e contra Judá e Israel (1.3-2.16);
II. Oráculos contra Israel (3.1-6.14). Nesta parte encontram-se as principais críticas de Amós contra a corrupção social e religiosa e o anúncio do castigo (3.13-15; 5.1-3;16-20; 6.8-14);
III. Castigos divinos (7.1-9,10). São cinco visões, das quais as primeiras quatro começam com a mesma fórmula e a quinta é diferente. No meio das visões encontra-se a narração da expulsão de Amós do santuário de Betel (7.10-17) e outros oráculos (8.1-14; 9.7-10); e
IV. Esperança messiânica como oráculo de salvação (9.11-15). O livro é quase todo em poesia, excetuando o primeiro versículo do Capitulo 1, todo o capítulo 7 e os três primeiros versículos do Capitulo 8. É preciso lê-lo como um poema e ter alma de poeta para o interpretar. Esta receita aplica-se, aliás, a quase todos os textos proféticos e a muitos outros textos bíblicos.
II. POLÍTICA E JUSTIÇA SOCIAL
1. Mau governo. Os profetas frequentemente interferiam na vida da monarquia. Aías informou a Jeroboão I que Deus iria rasgar o reino de Salomão e que Jeroboão governaria as dez tribos (1Rs 11.29-32). Um profeta ungiu Jeú como rei de Israel e o instruiu a destruir a casa de Acabe (2Rs 9.610). As implicações políticas da pregação de Amós são aparentes. Jeremias Também foi erradamente considerado um traidor por causa de suas profecias contra Judá (Jr 26.11; 37.11-13; 38.1-6). Amós mostra como o pecado trazia uma situação de violência, corrupção e injustiça social sem medida na sociedade israelita e que, apesar da prosperidade material vivida, Deus chamaria o povo para um acerto de contas, como acabou ocorrendo. Apesar de sua mensagem contundente, o profeta foi expulso do reino de Israel e esta rejeição do profeta representou a rejeição da própria mensagem divina, selando, assim, o destino trágico daquelas tribos, até hoje conhecidas como as “dez tribos perdidas de Israel”.
2. A justiça social. Quando Amós começou a profetizar, Israel e Judá viviam época de prosperidade material. Ambos os reis, Uzias e Jeroboão II, haviam trazido prosperidade aos seus povos (2Rs15. 25-28; 2Cr 26.1-15). Apesar de toda esta opulência material, o povo estava a pecar e, por causa da situação favorável, achava que o pecado não tinha importância alguma, que jamais deixaria de ter os favores divinos, de desfrutar da graça e da misericórdia de Deus, que havia Se manifestado particularmente para o reino do norte (2Rs15. 26,27). Começando no capítulo 2, Amós começa a pronunciar os juízos contra o povo de Israel; a opulência material não havia sido acompanhada de uma distribuição de renda, de uma distribuição de riquezas e o resultado tinha sido o surgimento de uma situação de gritante desigualdade social, sendo que os que haviam enriquecido não só não estavam a distribuir com os pobres, mas tinham tomado o nítido propósito de enriquecer ainda mais, tomando o que os pobres tinham. Lutar por uma sociedade mais justa é, para este profeta, o meio de escapar do castigo: “Buscai o Senhor e vivereis” (5.6); “Buscai o bem e não o mal” (5.14).
3. O pecado. Segundo Amós, o luxo e a ostentação da riqueza, a exploração dos pobres e dos oprimidos, a fraude e todo o tipo de injustiças sociais, o culto sem o necessário compromisso ético, o sincretismo religioso e as falsas seguranças apoiadas na eleição de Israel são contrárias ao plano de Deus na História. E, como Deus não tolera todos os abusos, a única forma de fazer o povo sentir estes males é o castigo por meio da invasão militar – algumas décadas mais tarde (em 722), as tropas assírias conquistam a Samaria e o Reino de Israel desaparece do mapa. A expressão: “Por três transgressões de Israel e por quatro, não retirarei o castigo” (2.6) refere-se não à numeração matemática, mas é máxima comum na literatura semítica (veja fraseologia similar em Jó 5.19; 33.29; Ec 11.2; Mq 5.5,6). Nesse texto, significa que a medida da iniquidade está cheia e não há como suspender a ira divina. Começa afirmando que “o Senhor bramará de Sião e de Jerusalém dará a Sua voz; nas habitações dos pastores haverá pranto e se secará o cume do Carmelo” (Am1:2).
III. INJUSTIÇAS SOCIAIS
1. Decadência social (2.6). A sociedade israelita à época de Amós em nada diferia da nossa, sendo mesmo uma figura da atual. O Senhor aponta que em Israel se “vendia um justo por dinheiro e um necessitado, por um par de sapatos” (Am 2.6). Israel é culpado de Injustiça social, imoralidade sexual e abusos religiosos. Possuía um sistema judicial corrupto. Os juízes dispunham-se a condenar os inocentes mediante o pagamento de subornos. “Par de sapatos” pode significar um “preço barato”. Por outro lado, visto que um sapato fazia parte das transações de terras (Rt 4.7-8), talvez a pessoa seja vendida em troca da terra.
2. Decadência moral. “Um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem e, assim, profanam o meu santo nome” (2.7). Talvez aqui haja uma referencia à prostituição cultual, mas também pode referir-se a uma mulher escrava, que é forçada a ser uma concubina tanto para um homem como para seu pai. Ambos são proibidos pela Lei (Lv 18.21; 19.12; Jr 34.16). Amós denuncia a conduta sexual descontrolada.
3. Decadência religiosa. A expressão “qualquer altar” (2.8) refere-se à entrega deles ao culto pagão de prostituição da fertilidade ao lado dos altares, profanando assim o nome do Senhor. Havia muitos altares em Israel, incluindo aqueles de Betel (3.14), Dã (8.14) e Gilgal (Os 12.11). Seus pecados de licenciosidade sexual e idolatria somavam-se ao fato de dormirem sobre roupas tomadas como garantia por empréstimos, por parte dos pobres. A recomendação da Lei é que tais vestes não deveriam ser retidas durante a noite (Êx 22.26; Dt 24.12,13). O comércio sexual entre uma prostituta e seu cliente envolvia um valor pecuniário estabelecido entre a mulher e o seu amante (Gn 31.16). O salário de uma prostituta, do hebraico ’etnam, lit. “paga de prostituta”, e do keleb eram abomináveis para Yahweh e, portanto, proibido o recebimento do mesmo na Casa do Senhor (Dt 23.18) [ Para saber mais, leia o artigo A Prostituição Sagrada no Antigo Testamento, de BENTHO, Esdras C., disponível no Blog Teologia e Graça
IV. A VERDADEIRA ADORAÇÃO
1. Adoração sem conversão. A despeito de sua baixa condição moral e espiritual, o povo continuava a oferecer o seu culto a Jeová com rituais e sacrifícios vazios e sem arrependimento: “Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes”. (5.21). Aborreço, desprezo, dois termos hebraicos combinam-se aqui para exprimir com mais ênfase a atitude do que qualquer uma delas poderia transmitir por si mesma. O resultado dessa combinação poderia ser: “Rejeito com ódio completo”. “Não me deleito”, refere-se a holocaustos que de acordo com a aliança mosaica, onde o Senhor declara que, se o seu povo fosse desobediente, ele não aspiraria o aroma agradável de suas ofertas (Lv 26.31).
2. O significado dos sacrifícios. A palavra hebraica traduzida por “oferta pacífica” vem de raiz de uma palavra que significa “completar, suprir o que está faltando, pagar uma recompensa”. Denota um estado em que os mal-entendidos foram esclarecidos e os erros, corrigidos, e em que prevalecem os bons sentimentos. As ofertas pacíficas eram suadas em qualquer ocasião que apelasse à gratidão e regozijo, e também para fazer um voto. Eram ofertas de cheiro suave, como holocausto de manjares. Eram uma expressão, da parte do ofertante, de sua paz com Deus e gratidão a Ele por Suas muitas bênçãos. Incluía as ofertas voluntárias e as ofertas movidas. Era um sacrifício de sangue oferecido a Deus (Lv 3.1; NVI, sacrifício de comunhão). Uma parte do sacrifício era comida pelo sacerdote (representando a aceitação de Deus) e a outra era comida pelos adoradores e seus convidados (sacerdotes não-oficiantes ou levitas e os pobres, Dt 12.18; 16.11). Assim, Deus era o anfitrião do banquete, tendo comunhão com o ofertante e outros participantes. Este sacrifício celebrava a cobertura do pecado, o perdão de Deus e a restauração de um relacionamento correto e significativo com Deus e com a própria vida (Jz 20.26; 21.4). Havia três tipos de ofertas pacíficas: (a) ações de graças, que expressavam gratidão por uma bênção divina não solicitada; (b) votos, associados a uma promessa ou pedido feito a Deus; e (c) ofertas voluntárias, apresentadas espontaneamente como forma de adoração e louvor. OFERTAS DE MANJARES: não continha sangue nem carne. Era preparada como uma refeição e representava a apresentação diante de Deus das boas coisas da vida, para serem consumidos ou usados por Ele como quisesse (Hb 5.10). Uma exceção notável a isso é que os pobres podiam apresentar ofertas de manjares como ofertas pelo pecado. (Dicionário ilustrado da Bíblia)
3. Os cânticos. “Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus; muitos verão isso e temerão, e confiarão no Senhor”(Sl 40.3). A verdadeira adoração é prestada a Deus somente por aqueles que nasceram do Espírito de Deus. “Aquele que é nascido da carne, é carne”, disse Jesus, e, portanto, toda assim chamada adoração feita por pecadores não regenerados é carnal. Somente um coração regenerado pode cantar a nova canção Disso depreende-se que a verdadeira adoração só pode surgir a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seis dias da semana, não está apto a adorá-lo corretamente no sétimo dia. Se tal pessoa fala quanto está se “regozijando” na adoração, alguma coisa está errada com ele! Ele está se entretendo ou está recebendo aquela vaga sensação de desafio que o homem natural desfruta. Por outro lado, em meio à verdadeira adoração, tal pessoa deveria sentir quanto está afastada de Deus e sentir uma tristeza santa por sua negligência para com a glória do Senhor. Os cânticos faziam parte das assembleias solenes (5.23). No entanto, eles negligenciavam as duas questões mais importantes: justiça e juízo.
CONCLUSÃO
A adoração ao verdadeiro Deus, nas suas várias formas, requer santidade e coração puro. Trata-se de uma comunhão vertical com Deus, e horizontal, com o próximo (Mc 12.28-33). Essa mensagem alerta-nos sobre o dever cristão de não nos esquecermos dos pobres e necessitados e também sobre a responsabilidade de combatermos as injustiças, como fizeram Amós e os demais profetas. Nosso tempo é caracterizado por grandes injustiças sociais e corrupção política. As pessoas não possuem mais temor a Deus nem amor ao próximo, seus interesses são a causa de suas existências. A mensagem do profeta Amós é um lamento pela situação do povo.Deus está profundamente aborrecido com o seu povo eleito; por isso o disciplinaria. É necessário que não permitamos que uma religiosidade estereotipada caracterize a nossa vida; Deus deseja não que cumpramos simplesmente rituais; ele quer que o busquemos. Os ritos só têm valor quando realizados conforme a palavra e com sinceridade. A nossa única chance real de salvação é buscar a Deus.
N’Ele, que me garante: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
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