Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad

A VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES


LIÇÕES BÍBLICAS - 3º TRIMESTRE DE 2012

Lição 14

introdução
 
Por que o justo sofre? Por que aqueles que andam com Deus sofrem nesta vida o cálice amargo da dor? Por que o justo precisa cruzar desertos escaldantes, atravessar vales escuros e pisar caminhos juncados de espinhos? Por que o justo enfrenta pobreza, enfermidade e privações enquanto a maioria dos homens que vivem como se Deus não existisse e que, muitas vezes, blasfemam do Seu nome parecem ter uma vida folgada, gozando de saúde plena, cumulando riquezas e glórias humanas? O sofrimento do justo é um dos temas mais complexos da Bíblia e neste trimestre estivemos mergulhando em reflexões para concluirmos que o sofrimento na vida crente não é consequência de pecado ou resultado das investidas do diabo. Os sofrimentos na vida do crente são o resultado da decisão soberana do Senhor, independente de fatores cominados das suas criaturas. É a soberania de Deus que permite o sofrimento na vida do justo. Espero que todos nós tenhamos, a partir de hoje, uma percepção mais intensa da Soberania de Deus no sofrimento humano. Devemos reconhecer que o Senhor reina majestosamente sobre tudo, e de maneira tal, que todas as coisas, inclusive o mal, estão debaixo dos propósitos santos e perfeitos do Senhor (Jó 1.20-22; 2.9-10). Ele nos conduzirá, pelo seu poder e graça, ao deleite das suas promessas (Is 40.28).Tenham todos uma excelente e abençoada aula!
 
I. VIVENDO AS AFLIÇÕES DA VIDA
1. As aflições de Paulo. Paulo se refere aos problemas graves que enfrentou de forma genérica e superficial classificando-as de “as coisas pelas quais passei”. Paulo teve muitas tristezas e problemas na vida. Ele as enumera na segunda carta aos Coríntios (2Co 11.23-29). Um olhar desatento pode imaginar que os problemas e aflições de Paulo foram insignificantes. Entretanto, as dificuldades enfrentadas pelo apóstolo foram intensas e graves, representando sério risco de morte e destruição do ponto de vista humano. Sofreu falsas acusações (At 21.26-28), quase foi linchado, ficou preso, esperou muito tempo até que seu caso pudesse ser examinado, foi injustamente provocado e insultado (At 24), foi marcado para morrer (At 23.12), foi mantido preso para dar popularidade ao governante de plantão (At 24.27), antes do naufrágio, os soldados intentaram mata-lo (At 27.42), sobreviveu a um naufrágio, foi picado por uma víbora venenosa (At 28.1-6). Ter problemas, entretanto, não é a questão mais importante. Talvez por isso Paulo tenha resumido suas dificuldades com a expressão “as coisas que me aconteceram”. O diferencial é que atitude tomar diante dos problemas. Paulo optou por reconhecer a soberania de Deus sobre todas as situações vividas e colocou seu sofrimento dentro de uma perspectiva correta. Para ele, o importante é que as dificuldades contribuíram para o progresso do evangelho. Ele escreveu: “Tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18). A Bíblia nunca nos mandou fechar os olhos para as mazelas do mundo, fingindo que nada de ruim está acontecendo. Pelo contrário, em muitos contextos, a podridão de nossa vida é descrita realisticamente. O que a Bíblia não admite é o terrorismo pessimista que nos ensina, como a mulher de Jó, que o melhor é “amaldiçoar teu Deus e morrer”. O Senhor, que nos criou, nos dotou de uma atitude poderosa chamada esperança. Não uma esperança míope, fantasiosa, que descreve como cor de rosa aquilo que é escuro. Mas a postura, baseada na experiência da fé, que já viu o Senhor resolver os próprios problemas, no passado. Por isso, Paulo ensina: as dores de hoje apontam para a saúde vitoriosa do amanhã. Cristo reside no nosso amanhã.
2. Deixado por seus filhos na fé. Aprisionado em Roma mais uma vez, o apóstolo Paulo se sentiu sozinho e abandonado. Paulo percebeu que a sua vida terrena provavelmente estaria em breve chegando ao fim. O livro de 2º Timóteo é essencialmente as “últimas palavras” de Paulo (O livro de 2º Timóteo foi escrito em aproximadamente 67 d.C., pouco antes do apóstolo Paulo ser condenado à morte). Paulo olhou além da sua própria situação para expressar preocupação com as igrejas e especificamente com Timóteo. Paulo queria usar suas últimas palavras para encorajar Timóteo, e todos os outros crentes, a perseverar na fé (2Tm 3.14) e proclamar o evangelho de Jesus Cristo (2Tm 4.2). Paulo foi abandonado por Demas no final da vida. Aquele que deveria estar ao seu lado, bandeou-se para o mundo e abandonou o veterano apóstolo. Aquele que deveria estar encorajando o apóstolo diante da dura realidade do martírio que se aproximava, amou o presente século e afastou-se. Paulo não apenas sentiu a dor da solidão, mas também sentiu na pele o aguilhão do abandono. Mesmo sabendo que Deus jamais o abandonaria, Paulo expressa a dor de ser abandonado por aqueles que um dia caminham com ele (2Tm 4.10).[1]
3. A tristeza do apóstolo. Paulo estava preso numa masmorra romana, na antessala do martírio e no corredor da morte. O tempo da sua partida chegara. E, nesse momento final da vida, em vez de estar cercado de amigos, estava sozinho, em plena solidão. Vários fatores contribuíram para Paulo se sentir só; ele os menciona abertamente: foi abandonado por seus amigos; sofreu a oposição de Alexandre; e ninguém foi a seu favor em sua primeira defesa. Abandonado por seus amigos. Mesmo tendo a assistência do céu, ele precisava da solidariedade humana. A solidão é uma dor que dói na alma, e Paulo não teve vergonha de expressá-la publicamente. Paulo foi traído por Alexandre, o latoeiro. Esse homem causo-lhe muitos males e resistiu fortemente às suas palavras. Os historiadores afirmam que foi Alexandre, o latoeiro, quem delatou Paulo, culminando na sua segunda prisão em Roma e consequentemente o martírio. Não é fácil ser traído. Não é fácil lidar com aqueles que buscam uma oportunidade para puxar nosso tapete e apunhalar-nos pelas costas. Paulo sentiu de forma profunda esse drama. Em vez, porém, de guardar mágoa, entregou para Deus sua causa, dizendo: “O Senhor lhe dará a paga segundo suas obras”
II. CONTENTANDO-SE EM CRISTO
1. Apesar da necessidade não satisfeita. A experiência paulina desafia-nos a viver um Evangelho que não prioriza a ilusão de uma vida de “mar de rosas”. Não é por acaso que os versículos-chave da Epístola são: 2Tm 1.7; 3.16-17; 2Tm 4.2; 2Tm 4.7-8. Paulo encoraja Timóteo a permanecer apaixonado por Cristo e a permanecer firme na sã doutrina (2Tm 1.1-2, 13-14). Paulo relembra Timóteo a evitar as crenças e práticas ímpias e a fugir de qualquer coisa imoral (2Tm 2.14-26). No fim dos tempos haverá intensa perseguição e apostasia da fé cristã (2Tm 3.1-17). Paulo encerra com um apelo intenso para que os crentes permaneçam firmes na fé e terminem a corrida forte (2Tm 4.1-8). Não custa lembrar que, apesar de preso, Paulo continuava livre:  escrevia cartas e anunciava o Evangelho “com firmeza e sem impedimento” (At 28.31).
2. Livre da opressão da necessidade. As tribulações levam-nos a amadurecer, em Cristo, capacitando-nos a desfrutar de uma vida espiritual plena. O sofrimento na vida do justo é perfeitamente natural, pois peregrinamos num mundo de aflições. No entanto, é possível ao crente sofredor viver plenamente em Cristo (Jo 10.10): “Não estou dizendo isto por me sentir abandonado, pois aprendi a estar satisfeito com o que tenho. Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo o lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco. Com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação.” (Fp 4.11-13) Este foi um dos importantes segredos da vida de Paulo, e o é na vida de todo aquele que entende sua vida como um relacionamento com Deus. A insatisfação tem tirado a paz de muitas pessoas que passam a vida na busca incessante de algo mais do que aquilo que possuem. Isto não é uma apologia à acomodação, mas um desafio à satisfação com o que Deus nos tem dado. Para muitos a paz está em ter sempre mais e como, para estes, nunca se tem o suficiente para estar satisfeito, esta paz nunca é alcançada. Paulo diz: “Aprendi o segredo de me sentir contente…” Ele está dizendo que não é tão claro e fácil assim ter contentamento, o natural é a insatisfação, é acreditar que a paz vem das conquistas. De fato é um segredo descoberto (revelado por Deus) por poucos. É a certeza de que o que Deus nos tem dado é sempre suficiente para enfrentarmos qualquer situação. É esta crença que nos traz o contentamento que gera a paz em nossos corações.
3. Contente e fundamentado em Cristo. Filipenses pode ser chamado de “Recursos através do sofrimento”. O livro é sobre Cristo em nossa vida, Cristo em nossa mente, Cristo como nossa meta, Cristo como nossa força e alegria através do sofrimento. Ele foi escrito durante a prisão de Paulo em Roma, cerca de 30 anos após a ascensão de Cristo e cerca de dez anos depois de Paulo ter pregado em Filipos pela primeira vez. Paulo era um prisioneiro de Nero, mas a Epístola transborda com mensagens de triunfo. As palavras “alegria”, “gozo” e “regozijo” aparecem com frequência (Fp 1.4, 18, 25, 26, 2.2, 28; Fp 3.1, 4.1, 4,10). Uma experiência cristã correta é experimentar, independente de nossas circunstâncias, a vida, a natureza e a mente de Cristo habitando em nós (Fp 1.6, 11; 2.5, 13). Filipenses atinge o seu auge em 2.5-11 com a declaração gloriosa e profunda sobre a humilhação e exaltação de nosso Senhor Jesus Cristo [3]. Como crentes, podemos nos alegrar e experimentar da paz de Deus quando lançamos todos os nossos cuidados sobre Ele: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus” (Fp 4.6). A alegria de Paulo, apesar da perseguição e prisão, brilha através desta carta e temos a promessa da mesma alegria quando focalizamos nossos pensamentos no Senhor (Fp 4.8).
III. AMADURECENDO PELA SUFICIÊNCIA DE CRISTO
 1. Através das experiências. “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade” (Fp 4.12). Para aqueles vivem em paz com Deus as aflições da vida, longe de desanimá-los e fazer desistir, os encorajam a permanecer. “E também nos alegramos nos sofrimentos pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus e essa aprovação criam esperança” (Rm 5.3,4). “Meus irmãos sintam-se felizes quando passarem por todo o tipo de aflições. Pois vocês sabem que quando a sua fé vence as provações, ela produz perseverança” (Tg 1.2,3). “Alegrem-se por isso, se bem que agora é possível que vocês fiquem tristes por algum tempo, por causa dos muitos tipos de provações que vocês estão sofrendo. Essas provações são para mostrar que a fé que vocês têm é verdadeira. Pois até o ouro, que pode ser destruído, é provado pelo fogo. Da mesma maneira, a fé que vocês têm, que vale muito mais do que o ouro, precisa ser provada para que continue firme. E assim vocês receberão aprovação, glória e honra, no dia em que Jesus Cristo for revelado” (1Pe 1.6,7). – Estes textos nos dizem duas verdades: 1ª: aquele que anda com Deus também está sujeito às aflições da vida. Andar com Deus não garante imunidade aos problemas desta terra. 2ª: as aflições da vida ao invés de enfraquecer, servem para fortalecer a fé e a paz na vida daquele depende de Deus.
2. Não pela autossuficiência. Em nossos dias, temos testemunhado um terrível declínio nos valores da Igreja: números têm se tornado mais importantes do que a mensagem; as igrejas estão oferecendo uma religião de “entretenimento” no lugar da pregação do evangelho puro; os pastores estão recorrendo à indústria de marketing para ajudá-los a atrair pessoas para Cristo. Até que tudo isto mude, até que retornemos à nossa chamada de irmos ao mundo, sem timidez, e pregarmos o evangelho, a Igreja corre o risco de perder seu impacto sobre a sociedade, pode deixar de ser o sal da terra e luz do mundo E esta seria a maior perda que nossa geração experimentaria. Não há autossuficiência para o verdadeiro cristão. Ele é dependente da graça e misericórdia divinas. Passar pelas experiências angustiosas da vida só revela o quanto somos dependentes do Altíssimo. “Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei” (Sl 91.2).
3. Tudo posso naquele que me fortalece. Essa expressão tem sido entendida por muitos Cristãos como uma afirmação geral de que realmente “tudo” podemos fazer. Como sempre é necessário observar o contexto da passagem. O contexto imediato (Fp 4.10-20) indica que Paulo está tratando de necessidades pessoais. Podemos ver isso quando ele usa frases e termos como “pobreza” (v. 11) “fartura e fome”; “abundância e escassez” (v. 12); “dar e receber” (v. 15) e “necessidades” (vv. 16 e 19). Todas estas palavras e frases tratam de necessidades físicas e imediatas como comida e moradia. Ele pessoalmente passou por necessidades nestas áreas e está mostrando como Cristo lhe deu força para enfrentá-las. Conclui-se que Paulo neste versículo, afirma que, dentro das necessidades pessoais (embora estas necessidades sejam enormes), com Cristo, ele terá tudo que precisa para lidar com elas.
CONCLUSÃO
Findamos este rico trimestre, cônscios de que o crente não está isento de passar pelas mesmas aflições a que estão sujeitos os homens que vivem à margem de Deus. O diferencial entre ambos é que nós confiamos em Deus para suprir todas as nossas necessidades. No mundo teremos aflições (Jo 16.33), esta é uma afirmativa exata! Não podemos pregar outra mensagem! Mas podemos pregar que o nosso Salvador venceu o mundo e, por isso, devemos ter bom ânimo. Não é um assunto fácil de ensinar… não é fácil atravessar o deserto… não é fácil desfrutar a paz em momentos de provação e sofrimento. A única forma de passar por todas estas coisas é confiando unicamente em Deus e crer em sua soberania sobre todas as coisas. O importante é que as dificuldades contribuírão para o nosso amadurecimento e, como Palo escreveu: “Tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18). Ele está conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

 

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