Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad


LIÇÕES BÍBLICAS - 3º TRIMESTRE DE 2012

Lição 13

Introdução
 
Damos início a o último bloco do trimestre, estudaremos hoje a verdadeira motivação do crente, ponto fundamental para que superemos as aflições vividas neste mundo. O crente, para vencer este mundo, precisa negar-se a si mesmo, o que implica em rejeitar toda e qualquer pretensão de fama e vanglória. Uma das causas das aflições na vida de muitos crentes hoje, certamente é a busca “por um lugar ao sol”. Num mundo globalizado, onde as distancias são vencidas e a exposição pessoal é cada vez mais enfatizada, onde a necessidade de “aparecer” é estimulada, caímos na tentação de parecer ter e a busca pela fama, poder e influencia procuram atrair-nos. Em Atos a Igreja Primitiva escolheu seus sete primeiros diáconos com base na sua “boa reputação” ou fama (At 6.3). Uma boa reputação confirmada pelo próximo é crucial à plena liberação do Espírito no ministério aos outros e ao crescimento da Igreja. Hoje, aprenderemos sobre a verdadeira motivação do crente. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!
 I. A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO DO CRENTE
1. O crente fiel dispensa a vaidade. A vaidade (chamada também de orgulho ou soberba) é o desejo de atrair a admiração das outras pessoas. Uma pessoa vaidosa cria uma imagem pessoal para transmitir aos outros, com o objetivo de ser admirada. Uma pessoa vaidosa pode ser gananciosa, por querer obter algo valioso, mas é só para causar inveja aos outros. Um ser humano invejoso, por sua vez, identifica com bastante facilidade um ser humano vaidoso, pois os dois vícios se complementam, e um é objeto do outro, uma vez que, vaidade é o desejo imoderado de chamar atenção, ou de receber elogios; presunção, fatuidade, gabo; coisa vã, fútil; futilidade, alarde, ostentação e vanglória. Em Atos a Igreja Primitiva escolheu seus sete primeiros diáconos com base na sua “boa reputação” ou fama (At 6.3). Uma boa reputação confirmada pelo próximo é crucial à plena liberação do Espírito no ministério aos outros e ao crescimento da Igreja e Paulo escrevendo aos Filipenses 2.3, exorta: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”.
2. O crente fiel não deseja o primeiro lugar. O Rev. Gildásio Reis, Pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco, escreve em seu artigo “Motivações Perigosas para o Ministério”: É possível que alguém caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua autoestima. Não há nada de errado em desejar ser respeitado e admirado, mas não é a motivação correta para o ministério. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial através de quantas pessoas da denominação o conhecem. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com sua foto e que falava a seu respeito. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. Em 1Tm 3.1, Paulo escreve: “se alguém deseja o pastorado, excelente obra almeja”. O termo deseja na língua grega é epithumeo, que tem o significado de “colocar o coração”, “ambicionar”, “desejar”. Precisa ser observado que o objeto do desejo é a obra, o serviço, e não a posição ou status. Este foi um erro cometido por Tiago e João (Mc 10.35,45). Alguém motivado por posição elevada e pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo.[1]
3. O crente fiel não se porta soberbamente. Paulo apela à Igreja de Filipos escrevendo: “Se há, pois alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão de Espírito, se há entranhados afetos e misericórdia, completais a minha alegria de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma (…), não façam nada por disputa, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo”(Fp.2.1-3). Para isso, ele mesmo dá o caminho a ser seguido: o exemplo de Jesus que, sendo Deus, esvaziou-se a si mesmo, assumindo forma de servo, tornando-se em homem e como tal, obedecendo até a morte, e morte de cruz. O mesmo poder que estava em Jesus, age em nós hoje através do Espírito Santo. Assim, podemos crer que é possível seguirmos o mesmo exemplo. A cruz não significa nada fora de nós, mas sim o nosso pecado que deve ser dominado e finalmente crucificado! Quanto a isto, Spurgeon escreveu: “Se um homem perceber, depois do mais severo exame de si mesmo, qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do pastorado, melhor que se afaste dele de uma vez, pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo”.
II. NÃO FOMOS CHAMADOS PARA A FAMA
1. O que é fama. Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas. Posição e reconhecimento transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano, e lhe confere status social. Fama é reputação, conceito; renome, celebridade.Celebridade é uma pessoa amplamente reconhecida pela sociedade. A palavra deriva-se do latim celebritas, sendo também um adjetivo para célebre, que quer dizer “famoso, celebrado”. 2 Crônicas 19.9 traz: “E deu-lhes ordem, dizendo: Assim fazei no temor do SENHOR, com fidelidade, e com coração íntegro”. O fruto da fidelidade deve ser demonstrado na vida de cada crente, ele não pode se deixar contaminar pela sociedade da qual faz parte. O crente é o sal da terra (Mt 5.13). Dois dos valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O crente e a igreja, portanto, devem ser exemplos para o mundo e, ao mesmo tempo, militarem contra o mal e a corrupção na sociedade. A fidelidade é uma característica de quem tem fé, ou seja, de quem recebeu o fruto do Espírito Santo pela fé em Deus, através do sacrifício de Jesus. A fé é um dom de Deus (Rm 12.3; Ef 2.8; 6.23; Fp 1.29), ela exclui a vanglória pessoal (Rm 3.27) e  a sua operação é pelo amor (Gl 5.6; I Tm 1.5; Fl 5).
2. O problema. A única motivação do crente em qualquer coisa que lhe venha à mão para fazer é a glória de deus. A fama gera vaidade e esta, por sua vez, tira a glória de Deus e a lança sobre o instrumento usado por Ele. Seria como se alguém após ter passado por uma cirurgia de alto risco, ao acordar da anestesia, se voltasse para o bisturi e dissesse – Obrigado, tú me salvaste a vida. Quem operou? O médico ou o bisturi? Quando a fama entra na vida do crente, a graça de Deus pode sair. É patente hoje o fracasso de crentes levantados por Deus para um ministério específico exatamente pela aceitação daquelas ofertas que Jesus recusou quando foi tentado por Satanás. Tais crentes foram seduzidos e tragados pela busca da fama e do poder temporal, da efêmera glória do aqui e agora. “Porque que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?” (Lc 9.25).
III. O ANONIMATO NÃO É SINÔNIMO DE DERROTA
 
1. A verdadeira sabedoria. No início do capítulo 3, Tiago disse que não era bom que houvesse muitas pessoas querendo ser professores na igreja. Ele disse isso porque é muito fácil as pessoas tropeçarem com as suas palavras, e assim influenciarem outras pessoas de um modo errado. A piedade é a verdadeira sabedoria! Piedade que os gregos denominam theosebeian, a qual foi recomendada pelas palavras dirigidas ao homem e que se lêem no livro de Jó: “Eis, o temor do Senhor é a (verdadeira) sabedoria” (Jó 28,28). Pois, se traduzíssemos o termo theosebeian para o português a partir do latim de acordo com a sua origem, poder-se-ia dizer “culto a Deus”, o qual consiste principalmente em que a alma não lhe seja ingrata. Por isso, no verdadeiro e singular sacrifício, somos exortados a dar graças ao Senhor nosso Deus. O homem foi criado para a glória de Deus, para que Deus pudesse manifestar a Si mesmo e para ser magnificado em, através, e sobre Sua criatura. O sentimento de Agostinho, “Fizeste-nos para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti”, embora não seja uma citação da Escritura, é totalmente escriturística, conforme o que está exposto em Mateus 11.28.
2. A simplicidade. Estamos nos acostumando ao termo “Extravagante”, bem comum em nossas igrejas. Extravagância é uma ação que se desvia das normas usuais do bom senso; é excentricidade, esquisitice, libertinagem. Bom senso é algo que falta em nosso meio cristão. Adotamos a extravagância em detrimento da simplicidade, nos movemos do natural para o artificial e superficial. Transformamos a beleza da simplicidade de Cristo em extravagantes eventos evangélicos. Na contramão, temos o exemplo de simplicidade e equilíbrio na vida de Jesus que é dada como trilho a ser seguido! Oxalá fossemos imitadores de Cristo de forma integral e simples! A “extravagância ao contrário” (radicalidade) do discurso de Jesus contra as mentes religiosas contrastava com sua compaixão, amor e empatia para com as pessoas. A simplicidade dos lírios do campo, a companhia dos humildes de coração, as ministrações com emprego de parábolas com situações do cotidiano… o usual e costumeiro era o Mestre nos ensinando a simplicidade emtudo. O Nazareno sabia exatamente da sua missão a cumprir (Jo 5.30) e é o nosso maior exemplo de simplicidade e equilíbrio no trato com as multidões. Enquanto estas o procuravam, Ele se refugiava em lugares desérticos (Mt 14.13; Mc 1.45).
3. O equilíbrio. No mundo contemporâneo, um dos elementos mais importantes na vida do crente é o equilíbrio. Extremos são perigosos, e podem deformar completamente a fé cristã. O caminho mais curto para a heresia e a apostasia é quando uma doutrina ou prática é supervalorizada em detrimento de outras doutrinas e práticas igualmente importantes. Não que não haja situações extremas em que posições radicais sejam exigidas. A dificuldade é ter sabedoria para reconhecer essas situações, assim como aquelas que exigem reações e posições mescladas de mais de um tipo de valor. A tensão entre a fé e as obras no âmbito da vida cristã é uma dessas situações que exigem equilíbrio e valorização de tudo que a Bíblia encarece, mas que, infelizmente, testemunha extremismos perniciosos dos dois lados. Sobre a falta de equilíbrio na vida espiritual o Senhor disse: “O meu povoestá sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” (Os 4.6). Aprouve a Deus trazer o conhecimento pleno, para que pudéssemos ter, aqui na Terra, uma vida equilibrada. O nosso modelo é um só: Jesus. Não temos outro modelo. Quando o apóstolo Paulo disse: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (1Co 11.1), ele nos mostrou que estava imitando o Senhor e que podemos fazer o mesmo! Se há alguma coisa em que devemos gloriar-nos, que seja na Cruz de Cristo (1 Co 2.2; Gl 6.14).
CONCLUSÃO
Nossa cultura, quer secular, quer e cristã, o anonimato é tomado como sinônimo de fracasso. A exposição midiática é disputada ferrenhamente por famosos tele-pregadores como também por aspirantes ao estrelato. Carece-se voltar para a Palavra, não se conformando com os padrões ou modelos mundanos impostos no presente século (Rm 12.2). Em Mateus vemos Jesus como leão, como quem tem poder e autoridade, já em Marcos, ele é como o boi, retrato do seu espírito de serviço e submissão. Lemos no capítulo 10, verso 45: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” Isso é equilíbrio na fé. O equilíbrio não é apenas a autoridade do leão, mas também a disposição de serviço e a humildade do boi. Marcos assim retrata a Jesus com a clara intenção de levar os leitores à compreensão da necessidade de servir, de sermos humildes. A pureza, a simplicidade e a sinceridade são os valores do Reino de Deus que nem sempre são entendidos pelos incrédulos Anônimos ou famosos, vivamos para a glória de Deus!

 

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