Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad

A PERDA DOS BENS TERRENOS


LIÇÕES BÍBLICAS - 3º TRIMESTRE DE 2012
Lição 10
Introdução
Dando sequência ao estudo sobre os “dramas materiais” que podem acometer todos os homens, inclusive os servos de Deus, veremos hoje, com auxílio da vida de Jó, a perda dos bens terrenos. Conforme estudamos na lição 9, quando estudamos a angústia das dívidas, não podemos deixar de considerar que, nesta terra, todas as coisas pertencem a Deus, Ele é o criador de todas as coisas (Gn 1.1) e, portanto, por direito, tudo Lhe pertence (Sl 24.1). A vida hoje tem se tornado muito competitiva, exigindo do homem um preparo constante para manter-se apto ao mercado de trabalho e assim, conseguir sustento para si e para os seus. Nessa corrida, alguns destacam-se na ânsia em angariar riquezas. Não que isto seja pecado ou proibido pelas Escrituras. No entanto, alguns desavisados tem feito isso  motivado por uma teologia nefasta que apregoa o materialismo como uma regra para a vida do crente – Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas e, por isso, a perda dos bens terrenos não pode nos levar a nos distanciar ou a questionar o Senhor.
 I. JÓ E A EXPERIÊNCIA DAS PERDAS HUMANAS
 
1. Seu gado e rebanho.
 Sem dúvidas, Jó é o personagem bíblico mais próspero e alguém que, alcançou testemunho do próprio Deus como homem Íntegro (honesto, imparcial), reto (que segue sempre a mesma direção, direito, justo nas palavras, nos atos e nos pensamentos), temente a Deus (levava Deus a sério) e desviava-se do mal (um caráter acima de qualquer suspeita).  (אִיּוֹב), cujo nome significa voltado sempre para Deus, natural de Uz, cuja localização exata não se sabe com certeza absoluta. Lamentações 4.21 diz: “Regozija-te e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz”. Este versículo indica que a terra de Uz ficou em Edom (a terra de Esaú). Edom, que foi depois chamado Iduméia, ficou para o sudoeste e sudeste do Mar Morto. Então parece que a terra de Uz ficou nesta região. Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo também muitos servos; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente (Jó 1.3).  A Bíblia descreve Jó como um homem rico, influente e respeitado em sua terra, também, um dedicado servo do Senhor. Não obstante isso, de repente, num só dia, ele viu todo seu gado e rebanho esvair-se. Os mensageiros, um a um, vieram trazer-lhe as inesperadas e funestas notícias (1.14-16).
2. Seus servos. 
Jó não teve tempo sequer de absorver o impacto da notícia, pois, “estando este ainda falando, veio outro”servo (v. 16), e trouxe-lhe a novidade de que o “Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu”, restando apenas o informante. Não houve tempo para se recuperar. Enquanto era-lhe concluído o relato, outro servo veio, e disse que três tropas dos caldeus tomaram os seus camelos, e “aos servos feriram ao fio da espada”, exceto o que escapou, “para trazer-te a nova” (v.17). De súbito, Jó se viu arruinado financeiramente, não lhe restara nada, nenhum bem com o que se sustentar.
3. Seus filhos. 
Mas eis que ainda quando o último falava, chegou novo servo, dizendo-lhe: “Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova”. Em questão de minutos, Jó havia perdido tudo o que tinha na vida; não possuía bens, nem servos, nem filhos (não seria a morte dos filhos o julgamento de Deus sobre eles?). Era um homem arruinado e afligido. É difícil imaginar o que se passava em sua mente, ainda que façamos uma ideia. Cabe uma pergunta: Em lugar de Jó, como nos portaríamos? Somos acometidos diariamente por coisas que nos irritam, nos frustram. Somos submetidos a pequenas adversidades e, normalmente, as tratamos com impaciência, raiva, sem fé. Imagine que Jó tinha uma vida abastada, era um homem próspero e instantaneamente se tornou num miserável. Seríamos capazes de suportar um baque tão grande? Será que temos buscado e conhecido a Deus o suficiente para não odiá-lO, caso estivéssemos no lugar de Jó? Ou blasfemar e murmurar? Em minutos, ele teve de aprender o que o apóstolo Paulo também aprendeu, nos ensinou, e teimamos em não entender: “… também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.3-6). Jó rasga suas vestes, rapa sua cabeça e cumpridas barbas, símbolos de sua posição social superior, e lança-se em terra adorando a Deus.  Somente a fé e a comunhão com Deus dão ao aflito a esperança e a força para vencer as vicissitudes. É nessas ocasiões que a comunhão do crente com Deus faz toda a diferença!
II. A PERDA DOS BENS
 
1. De ordem material.   
O homem servirá o Senhor na pobreza tanto quanto na prosperidade? (1.9-11). Satanás disse que Jó servia o Senhor porque estava cercado pela proteção divina e não podia tocar nele. Satanás só pode afligir os santos com a permissão de Deus. Graças a Deus por isso. Satanás afirmou que se deixa-se tocar em tudo quanto ele possuía, certamente ele blasfemava Deus na sua face. Deus deu a sua permissão para tocar em tudo quanto que Jó teve, só não contra Jó mesmo (sua pessoa ou vida). Satanás saiu correndo para fazer a sua maldade. Note que Jó não sofreu por causa de uma coisa que fez (2.3). A expressão “bens” representa propriamente as coisas materiais que nos servem para a satisfação de nossas necessidades e a Bíblia Sagrada faz questão de nos mostrar que elas são dádivas de Deus para nós. Para os israelitas, Deus prometia “abundância de bens” na Terra Prometida se houvesse fidelidade a Ele e à Sua lei (Dt.28:11), tendo, também, a rainha de Sabá entendido que Salomão tinha abundância de bens que lhe havia sido dada pelo próprio Deus (I Rs.10:7,10). Neemias, também, reconheceu que Deus cumpriu a Sua promessa ao povo de Israel, dando-lhes abundância de bens, embora tal atitude não tenha sido correspondida pelo povo (Ne.9:35). O próprio Satanás reconheceu que Deus é quem deu os bens a Jó (Jó 1:10), a provar, pois, que Deus é o dono de todas as coisas e dá a quem quer, quando quer e como quer. No entanto, e aqui reside o grande perigo, o homem, no pecado, entende que pode viver sem Deus e, por isso, acaba por achar que tudo quanto possui é fruto de seu próprio esforço, é resultado de suas próprias forças e, diante dos bens terrenos, esquece-se d’Aquele que é a fonte de tudo quanto foi adquirido, esquece-se do Deus que dá aos homens todos os bens terrenos. É neste ponto, quando há a desconsideração de que Deus é o dono de tudo e que é o principal responsável por aquilo que adquirimos por força do nosso trabalho que surge o “materialismo”, que é a redução de tudo ao “material”, que é a exclusão de Deus de nossas mentes, de nossa apreciação da realidade[a]. Por intermédio de uma vida imediatista, muitos crentes arrazoados num entendimento materialista, em momentos de perdas significativas, têm dificuldades de confiar em Deus.
2. De ordem afetiva.
 Depois de ser atingido por uma doença pavorosa e deformadora, de ser abandonado em sua fé pela própria esposa, depois de passar semanas assentado sobre cinzas, no lixo, Jó finalmente se pronuncia: “Disse Jó: Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz. Reclamem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele as nuvens; espante-o tudo o que pode enegrecer o dia” (Jó 3.2-5). Finalmente temos a oportunidade de conhecer melhor este personagem que parece ser um super-crente, inabalável na sua fé. Podemos vê-lo não como um crente que não se abala, mas como um homem de carne e osso, que se desespera com sua trágica situação. É como uma represa que se rompe. Seus sentimentos começam a jorrar. Seu sofrimento é insuportável. Isso faz desaparecer toda a alegria vivida antes. Diante da menor dificuldade, sentimo-nos impotentes, paralisados como se nosso cérebro e músculos estivessem adormecidos. A vida, nestas circunstâncias, perde o seu sabor e todas as atividades para as quais somos chamados em nosso cotidiano tornam-se fardos muito pesados em relação à nossa fragilidade. Os melhores amigos nascem nos períodos de sequidão e angústia (17.17).  Autoridades do Oriente chegavam à casa do infortúnio. Ouvia-se os murmúrios das carpideiras, que se revezavam em seus turnos. Os cancioneiros entoavam suas elegias, e os sábios do Oriente procuravam entender a tragédia humana. A dor e angústia apertavam seu corpo, como se a estivessem comprimindo em um pequeno vaso de cerâmica. Ele em nenhum momento blasfemou ou se queixou de sua sorte (Jó 1.22). Junto aos sábios do Oriente, ouvia-o dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Todos ouviam, admirados, a fé e perseverança de Jó em Deus. Diferente dos tolos adoradores de ídolos do Oriente, Jó confiava no Deus Invisível, Espírito eterno e imutável em seu ser.
3. De ordem espiritual. 
O materialismo é uma realidade na vida de muitos crentes que se deixaram levar pelas falácias da Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva. A mente e o coração, essencialmente, mergulhados numa perspectiva materialista de vida, não podem dar lugar a essência e a verdade do Evangelho de Cristo, que diz: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Tomar a cruz, através do sofrimento de Cristo, é o convite feito por Jesus a todos os discípulos que são dignos dEle (Mt 10.38).Quando nos sentirmos fracos, Deus mesmo virá no momento mais escuro da nossa vida para nos ensinar que não dependemos das circunstâncias para viver. Ele irá mostrar que se encontra no controle de todas as situações. O sofrimento, muitas vezes, é o anúncio de milagres que estão para chegar. Portanto, quando estivermos atravessando provação ou tribulação vamos lembrar que Deus pode usar essas experiências para nosso bem. Ao final da provação, poderemos dizer como Jó: “Eu sei que meu Redentor vive e, por fim, se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).
III. MESMO NA PERDA PODEMOS DESFRUTAR O AMOR DE DEUS
 
1. Sua graça. 
Paulo fez uma afirmação difícil de entender, e mais difícil ainda de aplicar na nossa vida: “Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.10). Ele disse: “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.” (2Co 12.7-8). Atrás dessas palavras enigmáticas encontramos algumas lições importantes e edificantes. Quando Deus recusou tirar o espinho da vida de Paulo, ele ofereceu esta explicação: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9). A graça contradiz o merecer. Se Paulo, no passado, se julgou autossuficiente, ele não continuou assim (Fp 3.4-11). Nas tribulações, ele aprendeu depender da graça do Senhor. Quando sentimos que temos tudo sob controle por causa da nossa própria capacidade, facilmente esquecemos de Deus. Nas horas de maior fraqueza, quando sentimos incapazes de resolver os nossos problemas sozinhos, tendemos a voltar para Deus e nos entregar à poderosa mão dele. Nossa inteligência não nos basta. Nossos recursos financeiros não nos bastam. Nossos amigos não conseguem preencher as nossas necessidades. A graça de Deus nos basta, e o poder dele se manifesta através da nossa fraqueza. É exatamente isso que Paulo entendeu:”De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12.9).
2. Seu amor. 
Graça é “O favor imerecido que Deus concede ao homem”. Embora tal definição seja verdadeira, é incompleta. Graça é um atributo de Deus, um componente do caráter divino, demonstrada por Ele através da bondade para com o ser humano pecador que não merece o Seu favor. Muitas vezes, Deus permite que passemos por grandes provações. Mas, ao final, quando olhamos para trás, percebemos que aqueles dias sombrios foram tempo de grande aprendizado e de comunhão com o Senhor. Aprendemos de forma prática que as adversidades da vida podem ser um sinal do amor do Pai por seus filhos.
3. Deus intervém na história. 
De acordo com as Escrituras Deus criou e preserva a sua criação (Gn 1; 2; Ne 9.6; At 17.28; Ef 1.11). Por isso, Ele tem todo o direito de governar sobre a criação e de intervir na história da humanidade. Devemos entender, no entanto, que este governo e intervenção está baseada, sobretudo, em seu infinito amor, que deseja o melhor para nós. Muitos servos de Deus tiveram experiências que provam claramente a intervenção de Deus em suas vidas, tais como: Adão, ao ser expulso do Jardim do Éden (Gn 3.23); Caim, que foi amaldiçoado por Deus, por matar seu irmão (Gn 4.10-12); Enoque, ao ser trasladado por Deus (Gn 5.24); Jacó, que teve o seu nome mudado, quando lutou com o anjo no Vau de Jaboque (Gn 32.22-28); Daniel, quando Deus o livrou da cova dos leões (Dn 6); e tantos outros servos de Deus que estão registrados nas Escrituras, como reis, sacerdotes, profetas, apóstolos, etc. “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam” (Is 46.9,10). Em Hebreus 1.3 nos diz que Cristo está “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”. Segundo a Teologia Sistemática de Wayne Grudem: ” A palavra grega traduzida como sustentar é pherõ, “carregar, suportar. É usada no Novo Testamento em: (Lc 5.18 levar um paralítico até Jesus). (Jo 2.8 levar vinho ao encarregado do banquete). (2Tm 4.13 levar uma capa e livros a Paulo)”. Encerra a ideia de controle, Jesus está carregando, isto é: Controlando, intervindo na criação. Afinal, ele é o Deus que intervém na história.
CONCLUSÃO
O maior desejo de Jó era gozar da presença e do favor de DEUS. Agora tinha acontecido toda aquela desgraça e parecia que DEUS o tinha abandonado. Ele não entende a razão de tudo aquilo. Era isso que ele temia: perder o relacionamento com seu Deus. Mesmo assim, Jó não blasfemou contra DEUS; continuou orando ao Senhor e rogando a Ele por sua misericórdia e socorro. Podemos perder tudo nessa vida, e ao contrário daquela música que diz “Restitui! Eu quero de volta o que é meu”, apesar de todos os infortúnios, nós devemos continuar a crer no Evangelho de Cristo, a crer naquilo que está escrito nas Escrituras! Deus sempre pode extrair coisas boas das tragédias. No caso de Jó, sua experiência no árido deserto das dores e das tribulações proporcionou-lhe crescimento e uma nova visão de Deus. No capítulo final do livro, capítulo 42, nos versos 1 a 6, vemos que Jó alcança uma bela compreensão dos propósitos divinos. Ele levantou perguntas corajosas enquanto Deus permaneceu em silêncio. Mas calou-se, humildemente, quando Deus se pronunciou. Seu exemplo contribui para um notável amadureciemento de nossa fé.
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