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AS AFLIÇÕES DA VIUVEZ


LIÇÕES BÍBLICAS - 3º TRIMESTRE DE 2012

lIÇÃO 5

introdução
Com esta lição, damos seqüência ao estudo dos dramas sociais iniciados com a lição 4, a que todo homem está sujeito, mesmo os regenerados pela graça divina. Como nas lições anteriores, a viuvez, que é uma figura bíblica da exclusão social, do desamparo gerado pela vida em sociedade, ao lado do órfão e do estrangeiro, é fator que nos leva a demonstrar o amor de Deus e o amor ao próximo. Esta situação, é um processo natural da vida humana que pode ser vivenciada por todos os homens, é uma oportunidade para que a Igreja demonstre que é portadora do amor de Deus e que, por isso, ama o próximo. Hoje, trataremos de um ministério muito importante para o equilíbrio e a harmonia dentro da igreja, do ponto de vista material: a ajuda àqueles que não têm os meios necessários para a sua subsistência.
I. O CONCEITO DE VIUVEZ
1. Definição.
A palavra portuguesa Viúvo se origina do Latim viduus, solitário, abandonado, vazio, que é como se sente uma pessoa que foi acompanhada por outra por muito tempo e a perdeu. A definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é daquele cujo marido ou esposa morreu, e ainda não casou de novo, e no sentido figurado: que está ou se sente em desamparo, desconsolo, privação, solidão. Juridicamente, é o cônjuge sobrevivente de uma sociedade conjugal que se dissolveu com a morte do outro componente. Uma pessoa viúva (Latim vidua) se caracteriza por estar vazia da companhia que durou vários anos. E é este vazio o causador de dramas sociais que poderão afetar a vida, trazendo sofrimento, desespero, solidão. No Antigo testamento, é utilizado o termo hebraico almanah (אלמנה) com o mesmo significado da língua portuguesa. Não existe na Bíblia o termo viúvo. No NovoTestamento, encontramos o termo grego chera (χήρα), cuja raiz tem origem em uma  palavra que indica deficiência e que, além de significar o que perdeu o cônjuge, também tem o significado de uma cidade despida de seus habitantes e de suas riquezas, ou seja, traz, também, a idéia de desamparo. A viuvez é o estado social e psicológico de um cônjuge quando da perda do outro e não tenha contraído outras núpcias.
2. Exemplos nas Escrituras.
A viuvez nessa época era um problema de gravidade monumental. Geralmente as viúvas nesse período eram negligenciadas, ignoradas e esquecida. Ser viúva era ser fadado ao esquecimento e ignomínia a não ser que tivesse um filho ou um parente que a remisse. Por essa razão é que tanto o AT quanto o NV dar forte ênfase a se demonstrar bondade para com as viúvas e ajudá-las em suas aflições. Tiago diz que “a religião pura e imaculada consiste em visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações” (Tg. 1:27). Na Bíblia Sagrada, dois exemplos de superação da viuvez são dignos de menção:
a) A profetisa Ana. Não sabemos muita coisa a respeito da profetisa Ana (heb., hanah, significa “graça”), mas sabemos que o Senhor quis que a conhecêssemos falando sobre ela em apenas três versículos. Ali, Ele colocou o necessário para vermos nela uma mulher de Deus, fiel e dedicada a Ele. Elaé mencionada unicamente no Evangelho segundo Lucas, onde se relata que era filha de Fanuel e seria pertencente à tribo de Aser, o oitavo filho de Jacó, o segundo pela ama de Lia, Zilpa (Gn 30.13; 35.26). Informa também que ela era viúva e tinha vivido com o marido apenas por sete anos, nas se afastando no templo e servindo a Deus em jejuns e orações, de dia e de noite (Lc 2.37). Quando José e Maria apresentaram Jesus no templo de Jerusalém para ser circuncidado ao oitavo dia, conforme o costume da lei mosaica, Ana teria sido uma das pessoas que, assim como Simeão tiveram o privilégio de ver de perto a vinda do Messias ao mundo. Ana era uma verdadeira viúva, correspondendo à descrição que Paulo faz em 1Tm 5.3-5: pessoa do sexo feminino, que vive desamparada, pobre, mas que espera e persevera de noite e de dia em oração. Não sabemos como seu cônjuge faleceu mas podemos imaginar o sofrimento de Ana, os dias tristes e sombrios que ela teve que enfrentar. Sendo uma serva de Deus, certamente, ela depositou no altar do Senhor todos estes sentimentos e pediu a Ele o Seu conforto.

b) A viúva de Sarepta. Sarepta era uma pequena cidade costeira fora das fronteiras de Israel, entre Tiro e Sidom. Está dentro do território da Fenícia, de onde veio a terrível rainha Jezabel, rainha do rei Acabe, que introduziu ativamente a adoração de Baal em Israel. Naquela época pensava-se que os deuses pertenciam a uma cidade ou região específica. Bem no próprio centro da adoração de Baal, Deus fez conhecidos Sua presença e Seu poder. Por toda região, no reinado de Acabe, houve uma grande seca. Por três anos e seis meses nem uma gota sequer de água caiu do céu. Esta seca fora predita pelo profeta Elias, que perseguido por corruptos governantes, se refugia junto ao ribeiro de Querite. Elias ficou em Querite, sendo sustentado pelos corvos até o riacho secar. Em seguida, Deus usou a necessidade do profeta para alcançar uma mulher na distante Sarepta. A viúva, lá fora, ajuntando lenha para fazer uma última refeição para si mesma e para o filho, imediatamente reconheceu Elias como um crente em Deus. O texto não diz o que foi, mas algo a fez saber que Elias era um adorador do Senhor. Esse é o propósito divino para a mulher ou o homem que se encontra na mesma condição: servir e honrar a Deus independentemente das circunstâncias (Mc 12.41-44; 1 Tm 5.5).

II. O ASPECTO SOCIAL DA VIUVEZ
1. O desamparo na viuvez.
O estado de “viuvez” não se circunscreve apenas a um estado civil, decorrente da dissolução do casamento pela morte do cônjuge, mas tem, em si mesma, a idéia de desamparo, de falta de companhia, de solidão, de extrema perda que faz com que a pessoa fique desolada, desamparada, sem ajuda, o que era extremamente compreensível nos tempos bíblicos em que a mulher que, tendo se casado, perdia seu marido, passava a viver uma situação extremamente precária, já que a mulher dependia do marido para sobreviver numa sociedade em que não se dava à mulher qualquer oportunidade de buscar, por si mesma, o seu sustento. A viuvez, sem dúvida alguma, traz para o seu portador não só carências econômico-financeiras, pois, ainda que hoje em dia a mulher esteja inserida no mercado de trabalho, não resta dúvida de que a perda do cônjuge produz abalo significativo na renda familiar (até porque são as necessidades econômico-financeiras que levam ambos os cônjuges a trabalhar na atualidade), mas, também, um estado psicológico adverso, pois se trata da perda de alguém que se amava e com quem se decidiu formar uma vida em comum. Assim, ao lado de todo o abalo produzido pela morte, já objeto de estudo na lição 3 deste trimestre, temos ainda esta carga socioeconômica.

2. O amparo da Igreja. 1 Timóteo 5 define a viúva verdadeira como aquela que está desolada, confia em Deus, etc., que é encargo da igreja sustentar aquelas que são verdadeiramente viúvas. Segundo Paulo, verdadeiramente viúva é aquela que não tinha família para lhe amparar, com mais de 60 anos, que tenha sido fiel ao seu marido, zelosa pelo lar e pela vida cristã (v.4-5, 9-10). Tiago fala sobre a importância de mostrar fé ativa e obediente, e de deixar a palavra de Deus entrar nas profundezas do coração, exige mudanças radicais na vida do discípulo. Entre outras exortações, ele descreveu bem a religião que agrada a Deus: A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo (Tg 1.27). Através da Bíblia, órfãos, viúvas e pobres são as pessoas que mais necessitam da bondade dos servos de Deus, e cada discípulo deve estar pronto e disposto a ajudar. Como defende Paulo em Efésios 4.28, o verdadeiro crente deve organizar-se para ter o que repartir com os necessitados. Muitos são os textos bíblicos que chamam a atenção da igreja local para atuar socialmente junto às viúvas (Dt 24.19; 26.12,13; Sl 67.6; Is 1.17; 1 Tm 5.16). “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35). Para superar a aflição psicológico-afetiva adversa que acompanha o estado de viuvez, faz-se mister que cooperemos para que esta sensação de solidão e de desamparo seja mitigado entre os viúvos, fazendo que com se relacionem conosco nos momentos de alegria e de confraternização, não os deixando sós, mas os incentivando e os estimulando a travar relacionamentos fraternos com os seus irmãos, com os que com eles convivem. O tratamento com dignidade não envolve apenas o exercício da filantropia, com a entrega de recursos mínimos para a sobrevivência material da viúva, ou atitudes que envolvam a viúva nos relacionamentos sociais, minorando a sua solidão, mas também requer o tratamento diante de seus direitos, o reconhecimento de sua cidadania. As viúvas devem ser honradas na Casa do Senhor. Tal amparo não pode ser apenas de palavras, mas de ação social, psicológica e espiritual.

CONCLUSÃO

A viuvez é um estado social que abarca milhares de pessoas. É um processo natural da vida humana. Algumas pessoas lidam bem com esta nova realidade, mas outras têm a insegurança existencial que paralisam a sociabilidade e a espiritualidade da vida. A Bíblia apresenta a viúva como uma pessoa necessitada em termos de proteção e sustento, e que deve ser honrada e respeitada. Conquanto seja uma situação sobremodo aflitiva, a viuvez, como a exclusão social, deve ser um motivo para reconhecermos a soberania de Deus, bem como experimentarmos o Seu imenso amor para com a humanidade. Se virmos esta situação sob este ponto-de-vista e como o Senhor, apesar de ter ceifado a vida do cônjuge, quer Se manifestar no tratamento desta questão teremos mais uma razão para adorá-lo e bendizê-lo. Basta fazermos o que Ele nos ensina em Sua Palavra.

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