Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad


LIÇÕES BÍBLICAS - 3º TRIMESTRE DE 2012

Lição 3

introdução
“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). Paulo quando escreve esse texto, não anseia pela morte, mas por uma presença mais próxima de Cristo que a morte trará. Enquanto isso, ele tem uma forte sensação de que deve permanecer entre eles para que aqueles crentes cresçam e amadureçam na fé. Na continuidade do texto de Fp 1, Paulo utiliza uma expressão em referência à morte – o termo partir – que também é usada para tirar pequenas estacas de barracas ou âncora de um barco; com isso, Paulo nos ensina que a morte significa apenas levantar acampamento e continuar, ou içar as velas para outro porto[c]. Não estamos acostumados a ouvir ensinos acerca da morte, muito menos sobre como enfrentar uma situação de perca de algum ente querido; não se arrisca a falar de um tema tão triste e acabamos deixando esse assunto de lado e, o que é pior, substituindo-o por coisas triviais e terrenas como se jamais fôssemos enfrentar este momento. Todo homem, quer salvo ou não, está sujeito à morte, contudo, o crente encara a morte de modo diferente do não salvo, pois para nós, ela não é o fim da vida, mas um novo começo, como nos inspira Paulo, é um levantar acampamento e partir para uma vida mais plena, é ser liberto de todas as aflições deste mundo para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5.1-5). Boa aula!
 
I. O QUE É A MORTE
 
1. Conceito. Não é tarefa fácil definir a morte. A morte (do latim mors), o óbito (do latim obitu), falecimento (falecer+mento) ou passamento (passar+mento), ou ainda desencarne (deixar a carne) são termos que podem referir-se tanto ao cessamento permanente das atividades biológicas necessárias à manutenção da vida de um organismo, como ao estado desse organismo depois do evento. Para a medicina, é a cessação permanente da regulação cerebral das funções respiratórias, circulatórias e outras atividades reflexas, mantendo-se a vida apenas com recurso a dispositivos mecânicos que colmatam essa falta. A morte cerebral é definida pela cessão de atividade elétrica no cérebro. Porém, aqueles que mantêm que apenas o neo-córtex do cérebro é necessário para a consciência argumentam que só a atividade elétrica do neo-córtex deve ser considerada para definir a morte. Na maioria das vezes, é usada uma definição mais conservadora de morte: a interrupção da atividade elétrica no cérebro como um todo, e não apenas no neo-córtex, é adotada, como, por exemplo, na “Definição Uniforme de Morte” nos Estados Unidos[d]
2. O que as Escrituras dizem? “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Na carta aos Romanos, Paulo afirma que toda a humanidade está por natureza sob a culpa e o poder do pecado, sob o reino da morte e sob a inescapável ira de Deus (Rm 1.18,19; 3.9,19; 5.17,21). Quando criado, Adão recebeu de Deus a promessa de confirmá-lo, a ele e a sua posteridade, permanentemente nesse estado, se tão somente Adão mostrasse fidelidade, obedecendo ao mandamento de Deus (Gn 2.17). Logo, vemos que Deus não criou o homem para a morte, e isso explica porque ela é inaceitável para nós. A morte física é, ao mesmo tempo, julgamento e bênção. Ela torna toda atividade vã, porém livra o redimido da frustração terrena e abre o caminho para uma salvação eterna, que perdura além do sepulcro (Sl 73.24; Pv 14.32).
3. É a separação da alma do corpo. Teologicamente, a morte física separa a alma do corpo, o qual retorna à terra (Gn 3.21). Sabemos que não escaparemos dela, a menos que Cristo volte antes que ela ocorra. Felizmente, há uma certeza para nós: “Ora, o último inimigo a ser aniquilado é a morte” (1Co 15.26). Quando se dará? Na ressurreição dos mortos em Cristo, por ocasião da volta do Senhor Jesus. Em 1Coríntios 15.50-55, Paulo diz que quando o nosso Senhor retornar à terra, os vivos subirão com os corpos transformados, isto é, corpos íntegros e imortais. Então, se cumprirá a Palavra de Deus: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15.54). Em 1Tessalonicenses 4.16,17, lemos que os que morreram em Cristo ressuscitarão e os que estiverem vivos serão arrebatados com eles para viverem eternamente com o Senhor Jesus. Já em Apocalipse 21.4, está escrito: “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. Isto é, a morte física terá seu fim.

II. A VIDA APÓS A MORTE

“Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?” (Jó 14.14a) Jó nutria a crença de que, depois de morto, estando no sheol, Deus o traria a vida outra vez. Jó possuía a crença na ressurreição pessoal. Numa época longínqua, aquele homem já possuía uma certeza e as respostas que a maioria dos homens em todas as épocas gostariam de ter.  Entretanto, as Escrituras têm as respostas a essas perguntas.
a) Sheol. Em Salmos 16.10 e 49.14,15, o termo hebraico é “sheol”. Em grego o termo é hades, o mundo dos mortos (como que um asilo subterrâneo), incluindo suas instalações e seus ocupantes; – sepultura, inferno, abismo, Seol, morte. Salmos 16.10 afirma que os justos não foram criados para o Sheol, essa não é a morada apropriada deles. Eles não serão deixados no sepulcro ou no Sheol, mas serão resgatados desse lugar (Sl 49.15). Tais expressões denotam a idéia de imortalidade da alma e a esperança de se estar diante de Deus após a experiência da morte. Tal expectativa demonstra a certeza de que a morte não o separará de Deus e declara profeticamente que os santos de Deus serão ressuscitados em glória.
b) A esperança da ressurreição. O patriarca Jó expressou profeticamente a certeza de que, depois de seu corpo se desfazer no sepulcro, ele seria fisicamente ressuscitado e, em seu corpo reditivo, contemplaria o seu redentor: “E depois que o meu corpo estiver destruído e sem carne, verei a Deus” (19.26 cf. vv.23-25,27). O anseio de Jó por ver seu Redentor excedia em muito todos os seus demais desejos; ele aspirava pelo dia no qual veria a face do Senhor, plenamente redimido. O salmista expressou-se a esse respeito da seguinte forma: “Quanto a mim, feita a justiça, verei a tua face; quando despertar, ficarei satisfeito ao ver a tua semelhança” (17.15 cf. 16.9-11). Este pode ter sido o versículo que o apóstolo João tinha em mente quando escreveu sobre a ressurreição futura e as recompensas para os que foram maltratados na vida presente (1Jo 3.2). Os profetas Isaías e Daniel expõem a esperança da ressurreição como um encontro irreversível com Deus (Is 26.19; Dn 12.2). Estas duas ressurreições são mais explicadas em Ap 20.4-15; a primeira ressurreição acreditamos que sucederá antes do milênio, e a segunda após o milênio, precisamente antes do julgamento do grande trono branco. A ressurreição dos mortos justos confirma a esperança da vida eterna. Logo, podemos afirmar categoricamente que o Antigo Testamento, respalda, inclusive com riqueza de detalhes, que há vida e consciência após a morte.
2. O que diz o Novo Testamento. A Bíblia refere-se à morte do crente em termos consoladores. A morte para o justo, segundo Lucas, é ser levado pelos anjos “para o seio de Abrão” (Lc 16.22); é ir ao “paraíso”(Lc 23.43); é ir à casa do nosso Pai, onde há “muitas moradas” (Jo 14.2); é uma partida bem-aventurada para “estar com Cristo”(Fp 1.23), e é a ocasião de receber a “coroa da justiça”(2Tm 4.8). Nossa corporal está garantida pela ressurreição de Cristo (At 17.31; 1Co 15.12, 20-23). Essas porções bíblicas ensinam claramente a sobrevivência da alma humana fora do corpo, quer do salvo, quer do ímpio, após a morte. Jesus nos ensina acerca de uma ressurreição da vida, para o crente, e de uma ressurreição de juízo, para o ímpio (Jo 5.28,29). O crente passa do tempo para a eternidade. Paulo usou o substantivo grego kerdos significando ganho, o adjetivo kreitton significando maior, melhor ou superior, e o advérbio mallon significando mais ou muito mais em Filipenses 1.21-23. A combinação das palavras prova que o crente falecido não se torna inferior a uma pessoa quando ele morre: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada…E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.18,23). O corpo redimido será a finalização ou perfeição do que Deus o Espírito Santo começou na regeneração. O Espírito aplicou o que o Filho de Deus providenciou em Sua morte. O que o Filho providenciou foi em favor do eleito que o Pai lhe deu antes da fundação do mundo[e].
 
III. MORTE, O INÍCIO DA VIDA ETERNA
1. Esperança, apesar do luto. “[…] quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25). O crente não teme a morte. Assim como se expressou o salmista, dizemos: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum …” (Sl 23.5); temos convicção de que a morte não é o fim de tudo. O homem não morre como a besta do campo e o crente morre como alguém sem esperança. Pela graça ele crê que Deus lhe deu a vida eterna, e que a morte é o meio pelo qual ele passa para uma experiência mais gloriosa dessa vida: “Tragada foi a morte na vitória” (1Co 15.54). Embora seu corpo retorne ao pó, o mesmo não permanecerá nessa corrupção. Ele será levantado dentre os mortos. O corruptível se vestirá de incorrupção, e o mortal de imortalidade. “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4.16).
2. A morte de Cristo e a certeza da vida eterna. O Pai entregou seu Filho em favor da humanidade, e assim o fez simplesmente por amor (Jo 3.16). Já pensou se Jesus não tivesse ressuscitado dentre os mortos? Certamente permaneceríamos mortos em nossos delitos e pecados; Se o Senhor não tivesse ressuscitado, ainda seríamos escravos do pecado; Se Cristo não tivesse ressuscitado dentre os mortos, estaríamos fazendo a vontade da carne, andando segundo o curso deste mundo, conforme a vontade do seu governante e estaríamos irremediavelmente sem esperança da vida Eterna. Essa é a razão pela qual o crente espera avidamente a vinda de Cristo. Ele anseia pelo dia quando será transformado “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1Co 15.52). Nesse momento glorioso todos do povo de Deus serão glorificados e entrarão na bem-aventurança dos novos céus e nova terra. Assim, a oração diária de todo filho de Deus é: “Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20). Mas isso não é tudo. A esperança do crente não é somente que ele será ressuscitado dentre os mortos quando Cristo retornar, mas que após a morte ele entrará imediatamente na presença de Cristo. O filho de Deus espera Cristo vir na morte para levá-lo ao céu, da mesma forma que espera ele vir no final do mundo. Embora o corpo retorne ao pó e não será ressuscitado até o último dia, na morte, a alma é levada ao céu. Na morte, o crente desfruta conscientemente da bem-aventurança de estar com o seu Senhor e Salvador.
3. A morte: o desfrutar da vida eterna. O livro de Eclesiastes, atribuído tradicionalmente ao rei Salomão, afirma que o dia da morte do crente é melhor do que o dia do seu nascimento: “Melhor é a boa fama do que o melhor ungüento, e o dia da morte, do que o dia do nascimento de alguém” (Ec 7.1). Todos os dias do crente sobre a terra são bons, mas estar com Cristo na glória eterna será ainda melhor. No dizer de Paulo, o apogeu da bênção seria partir para estar com Cristo na glória: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne” (Fp 1.21-24). O crente olha para a morte como uma partida da imperfeição para perfeição (2Tm 4.6). Paulo viveu uma vida espiritual progressiva. Ela não foi ausente de dificuldade, perseguição e sofrimento. Contudo, essa vida estava em preparação para a morte, pois ele aguardava a experiência com confiança alegre e expectativa esperançosa. A morte, para todo crente, deixa de ser um inimigo, pois Cristo, por meio de sua morte e ressurreição, destruiu o poder da morte. Para o crente, morrer é lucro, pois implica em descansar na presença do Salvador.
 
CONCLUSÃO

As Escrituras falam da morte do crente de um modo bastante consolador. É na morte de Cristo que o crente é solicitado a transformar sua morte num lugar privilegiado do encontro derradeiro com o Pai, numa decisão de amor pessoal e de decisão definitiva acerca de seu destino. Viver e morrer para o crente significa aceitar a passagem pascal, onde a doação a Cristo e aos irmãos não se realiza sem dificuldades e desilusões, sem passar pelas inúmeras mortes cotidianas até a morte física, etapa obrigatória criada pelo ato redentor de suprema doação de Cristo que morre por amor e ressuscita para que nós possamos ressuscitar com Ele. Agora vivemos uma vida nova, porque aquele que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, dará a vida também aos nossos corpos mortais (Rm 8.11)

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