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INTRODUÇÃO

Das sete cartas enviadas por JESUS às igrejas da Ásia Menor, a de Tiatira é a mais extensa. A cidade de Tiatira não era política e religiosamente importante. Sua singularidade residia no aspecto comercial. Através da sua posição geográfica, o intercâmbio comercial da cidade se dava entre Europa e Ásia. Mas, no entanto, a idolatria estava presente nessa prática comercial. Os membros da igreja de Tiatira deveriam decidir o que fazer nessas circunstâncias, já que muitos eram profissionais da área do comércio. Todavia, a igreja de Tiatira não sofria perseguição religiosa; o perigo estava dentro da própria igreja, e tinha um cognome: Jezabel; a mulher que sustentava o seguinte ensino: Não havia problema de os cristãos amalgamarem-se com o pecado. É nessa perspectiva cultural que se encontra a igreja de Tiatira. Jesus vê tudo e faz uma distinção absoluta entre os servos de Satanás e os servos fiéis do Senhor. Para os que insistem em servir ao diabo, ele promete tribulação e morte. Para os discípulos dele, ele promete o dia de sua presença e o privilégio de reinar com ele sobre os inimigos. Boa aula!
 
I. A IGREJA EM TIATIRA
1. A cidade de Tiatira. “Sacrifício de Perfume”, isto é, repleta de muitos sacrifícios. Subindo de Éfeso, passando por Esmirna, e agora tomamos a direção de Pérgamo para o sudeste, descendo um pouquinho obliquamente desde o norte de Anatólia ou Turquia para o sudeste, a cerca de 59 quilômetros, no fértil vale do rio Lico, na estrada que ia para Sardes, ali estava a cidade histórica de Tiatira, nome antigo da moderna cidade turca de Akhisar (“Castelo Branco”); pequena mas crescente e rica Tiatira, colônia macedônica, fundada por Alexandre Magno, depois da destruição do Império Persa. Era um importante centro comercial na Ásia Menor e foi fundada para ser um posto militar. Foi destruída por um grande terremoto durante o reino de Otávio Augusto (27 a.C.-14 d.C.), mas foi reconstruída com a ajuda do Império Romano. Era famosa pelo seu comércio e por sua produção de têxteis, incluindo o índigo (púrpura). Segundo o livro de Atos dos Apóstolos, uma das comerciantes de roupas da cidade era uma mulher chamada Lídia, que conduzia negócios em lugares distantes como Filipos (At 16.14). Na Antiguidade, a cidade era conhecida pelas suas muitas guildas comerciais. E, para poder trabalhar no comércio era necessário que o cidadão pertencesse a alguma guilda, sendo muito comum que os membros dessas associações participassem de festas dedicadas às divindades pagãs que terminavam geralmente em orgias sexuais. Como as outras cidades da época, Tiatira teve seus templos e santuários religiosos, incluindo templos aos falsos deuses Apolo, Tirimânios e Artemis (Diana para os romanos – At 19.34) e um santuário a sibila (orácula) Sambate. A importância de figuras femininas na cultura religiosa de Tiatira pode ter facilitado o trabalho de Jezabel, a mulher que seduzia os discípulos e incentivava a idolatria e a prostituição. Essa profetisa incentivava as pessoas a conhecerem as “coisas profundas de Satanás” (i.e., “os segredos profundos”; talvez se refiram ao falso ensino de que, para experimentar plenamente a graça e a salvação divinas, devemos penetrar nas profundezas do pecado e conhecer todos os tipos de males). Para servir a Deus num ambiente cheio da influência do diabo, o discípulo de Cristo teria que lutar e confiar em Deus, confiante da recompensa para os vencedores.
2. A igreja em Tiatira.  “… Ao anjo da igreja”. Não se sabe ao certo quem liderava aquela igreja nessa época, a não ser aquilo que se depreende do texto de Apocalipse e daquilo que está registrado em Atos acerca da conversão de Lídia, vendedora de púrpura, que veio ao Evangelho através de Paulo, a qual era uma rica comerciante dessa cidade (At 16.14). Da conversão de Lídia, que se deu provavelmente no ano 53 d. C. à carta dedicada ao anjo da “igreja de Tiatira”: em 96 d. C., temos uma distancia temporal de 33 anos. Acredita-se que tenha sido Lídia e seu esposo, os iniciadores daquela igreja.

II. A IDENTIFICAÇÃO DO DESTINATÁRIO
1. Filho de DEUS. Cristo, autor das catas às igrejas, se apresenta nesta carta, falando de si mesmo como: “O Filho de Deus“. Exaltando sua DIVINDADE. “Que tem seus olhos como chama de fogo“. Exaltando sua ONIPRESENÇA. “E os pés semelhantes ao latão reluzente“. Esta expressão é comum no Novo Testamento, especialmente nos escritos de João, como descrição de Jesus Cristo. Os servos fiéis são descritos, também, como filhos de Deus (veja 21.7; 1 Jo 3.1,2,10; 5.2; Jo 1.12; etc.) Aqui, a expressão obviamente se refere a Cristo. Dessa forma, O Cristo glorificado vai de encontro com a principal divindade de Tiatira, Apolo (o Deus-Sol, filho de Zeus). O sol era visto como sendo uma fonte de poder e os habitantes de Tiatira acreditavam que cada novo imperador romano era uma forma de manifestação de Apolo. Ao apresentar Jesus como Filho de Deus, João demonstra que Jesus é superior a Apolo e que merecia não só a adoração feita a Apolo ou aos imperadores, como muito mais devoção e respeito.
2. Onisciente. olhos como chama de fogo: um local onde se trabalha com ferro, metais e bronze, a figura do fogo é imprescindível para expressar o que consome todo e qualquer tipo de impureza e deixar os metais limpos e flexíveis para o artífice. Como em Tiatira, Apolo (Deus-Sol) era visto como uma enorme fonte de poder, João apresenta Jesus como sendo superior e o que olha discernindo as impurezas e purificando não apenas de forma bruta como de forma moral, o que é mais importante para os cristãos da época. Jesus estava vendo e conhecia a postura dos cristãos daquela comunidade, isto é, a vida espiritual de cada um.
3. Supremo Juiz. pés semelhantes ao latão reluzente: por haver uma fábrica de bronze, os moradores sabiam como o bronze ficava ao ser polido e pronto para o uso após passar pelo fogo. Por isto João relata que Jesus além de discernir os pensamentos morais, tinha seus pés para pisar e destruir o que não era do agrado de Deus e por ser um bronze reluzente, isto é, polido todos o veriam e não teriam dúvidas que eram os pés de Cristo porque podiam vê-los de longe.
 
III. UMA IGREJA RICA EM OBRAS
Observemos o contraste entre as “obras” da igreja de Éfeso (2.5), e as “obras” da igreja de Tiatira: enquanto naquela as “últimas obras eram menores que as primeiras”, nesta pelo contrário; as “últimas obras são mais do que as primeiras”. O substantivo grego, que nossas versões do Novo Testamento traduzem por “obras”, com maior precisão que a palavra portuguesa comporta duas acepções: o resultado de uma atividade (sentido habitual do termo em português); e também: a atividade em si mesma, limitando-se às atividades morais. Aqui, são obras de caridade feitas em favor de CRISTO (Ap 22.12).
1. Amor. Aqui a palavra grega utilizada para amor é ágape e este é o amor incondicional de Deus pelo homem. É a essência de Deus. É o centro de tudo para a vida cristã. O ser humano tem um amor que sempre se manifesta em função de alguém seja pai, mãe, filhos, irmãos, cônjuge e etc., porém o amor ágape que o cristão tem vai além deste sentimento humano. O amor ágape envolve o amor pela vida e condição do ser humano seja pecador ou salvo. É um amor incondicional.
2. Serviço. O termo grego diakonia utilizada aqui representa os valores dos serviços que os cristãos utilizavam e devem utilizar em todos os momentos de sua vida, dentro ou fora da igreja. Para que eles exercessem esse serviço era necessário uma dedicação constante e também era um fruto do amor que tinham.
3. Fé. Junto com as suas obras, os discípulos em Tiatira mostraram a sua fé. As pessoas podem ser identificadas conforme a sua fé. Há crentes e há incrédulos, e não pode existir comunhão entre os dois (2Co 6.14-15).
4. Paciência. (Perseverança ou resistência constante). Apesar de estarem vivendo momentos de duras perseguições os crentes de Tiatira perseveravam no amor, nos valores à vida e no serviço às demais pessoas. Tudo isto que é enumerado neste versículo é fruto do Espírito Santo na vida do cristão. O bom solo produz fruto com perseverança (Lc 8.15), uma qualidade freqüentemente incluída nas características que definem os servos de Deus (Cl 1.11; 2 Tm 3.10; 2Pe 1.6). A tribulação produz perseverança (Rm 5.3-4; Tg 1.3-4,12).
5. Abundância em obras. A igreja em Tiatira era uma congregação ativa. Ao invés de esfriar, ela se tornou cada vez mais ativa no serviço a Deus. A fé que agrada a Deus é a fé ativa que se mostra pelas suas obras (Tg 2.14-17). Os servos de Deus devem ser “sempre abundantes na obra do Senhor” (1Co 15.58), pois Deus nos criou para boas obras (Ef 2.10).
 
IV. JEZABEL, E AS PROFUNDEZAS DE SATANÁS
1. A Jezabel de Tiatira.  “Jezabel” significa: “Montão de lixo”. Na opinião de alguns eruditos: “Casta”. Aparece pela primeira vez nas Escrituras como pessoal de uma princesa. Ela tinha crescido em Tiro, na cidade portuária fenícia. Seu pai, rei Etbaal, era também sacerdote de Astarote e sacrificava a Baal (1 Rs 16.31) e, por conseguinte, tornou-se esposa de Acabe, rei de Israel. Esta Jezabel tombou morta no vale de Armagedom (2 Rs 9.15, 16, 30, 37). Na carta dirigida à Tiatira, João cita uma pessoa específica: Jezabel, nome este derivado daquela Jezabel do AT e que representa a idolatria e a perseguição aos santos (1 Rs 16.21; 19.1-3; 21.1-15; ver 21.25). No meio da comunidade em Tiatira, esta mulher liderava se intitulando profetisa e fez com que os cristãos deixassem de buscar a Cristo e seus ensinamentos e passassem a realizar as práticas cultuais do gnosticismo. O que ela fazia era algo tão ruim que é apelidada de Jezabel, a rainha que casou com Acabe e que em 1 Reis 16 a 21 relata o mal que fez contra o povo de Israel e contra Deus.
2. O ministério de Jezabel.  “Mulher que se diz profetisa”: há muitas opiniões a respeito da “audaciosa mulher” da igreja de Tiatira; alguns até já defenderam tratar-se de uma “doutrina”, ou mesmo de uma “religião” e não de uma pessoa. A Jezabel do Antigo Testamento, é citada como o protótipo de pecado. A Jezabel do presente texto, trata-se de uma pessoa e não apenas uma figura ou personificação do mal. A passagem fala claramente de uma pessoa, pelo uso do pronome “ela”. A Jezabel de Tiatira agiu de maneira semelhante à mulher de Acabe, seduzindo os crentes às práticas de idolatria e prostituição (ou imoralidade sexual literal, ou impureza espiritual). Ela incentivou os servos de Deus a comerem coisas sacrificadas a ídolos, uma prática condenada que representa comunhão com os demônios (veja At 15.20,29; 1Co 10.20-22). Um pecado prevalecente na igreja de Tiatira era a tendência de tolerar o pecado, a iniqüidade o ensino antibíblico entre seus líderes (vv. 14,20).  Alguns em Tiatira provavelmente aceitaram os falsos mestres, pelo fato de falarem em nome de DEUS e terem grande popularidade e influência. CRISTO condena o pecado da transigência com o erro. Devemos rejeitar qualquer preletor que coloca suas próprias palavras acima da revelação bíblica (ver 1 Co 14.29) e declara que DEUS aceita, na igreja, a quem comete atos imorais, participando dos prazeres pecaminosos do mundo.
3. A obra de Jezabel. “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu”; tratava-se tanto de prática imorais pessoais, como parte do culto da seita gnóstica. Era algo tanto espiritual como físico. Alguns, na igreja, costumam tolerar tais falsos ensinos, por indiferença, medo de confronto, amizade pessoal ou pelo desejo de paz, harmonia, autopromoção ou dinheiro. DEUS excluirá tal igreja, juntamente com os seus líderes (vv. 20-23; ver também Lc 17.3,4).
 
CONCLUSÃO

Na igreja de Tiatira havia dois grupos distintos: os cristãos verdadeiros e os que se gloriavam de conhecer “as profundezas de Satanás”. Paulo encontrou quatro grupos na igreja de Corinto. Porém é evidente que aqueles eram crentes em JESUS; o grupo de Jezabel não. Ao primeiro grupo, Cristo exorta: “Mas o que tendes retende-o até que eu venha”. Precisavam guardar aquilo que é precioso como: A palavra de DEUS. É o divino convite. É o apelo de CRISTO. As últimas cartas do Apocalipse, todas possuem características da Igreja cristã dos “últimos tempos”; portanto, todas elas, de alguma maneira, lançam olhos para o fim de nossa era, ou seja, para a vinda de JESUS (1 Ts 4.13-17). Em sua misericórdia, DEUS concedeu um tempo de arrependimento a Jezabel e aos que com ela pecaram (Ap 2.21). Em sua paciência, Ele espera por nós… “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.” (1Jo 3.18)

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