Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad


 

Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos
2º Trimestre de 2012
Título: As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja
Comentarista: Claudionor de Andrade
29 de Abril de 2012
(I. introdução)

A terceira carta foi dirigida à Igreja de Pérgamo. (Gr. Πέργαμος; parece significar “casamento”), atual Bergama, uma antiga cidade grega que situava-se na Misia, no noroeste da Anatólia, a mais de 20 km do Mar Egeu numa colina isolada do vale do Rio Caicos (atual Bakırçay) e cerca de 100 km ao norte de Esmirna, na mesma linha que de baixo para cima vai de Éfeso a Esmirna e Pérgamo; e depois volta para o oriente, para Tiatira, e depois vai baixando outra vez para o sul. Seu nome antigo era Teutrania. Pérgamo era a capital da Ásia até o final do século I. Comercialmente não era tão importante como Éfeso e Esmirna, mas nos níveis religioso e político detinha sua maior importância. Era uma cidade entregue à adoração a vários ídolos gregos, com grande predominância na adoração a Baco (deus da diversão) e a Asclépios (deus da sanidade). Em vista disto, o governador romano local tinha grandes dificuldades em conduzir as inúmeras diferenças religiosas presentes na cidade. Diz um antigo escritor, que Pérgamo era a cidade mais idólatra de toda província da Ásia. Era cidade famosa por sua escola de medicina. O único livro do Novo Testamento que cita a cidade ou a igreja em Pérgamo é o Apocalipse. Atualmente, as sete igrejas da Ásia Menor estão mortas, restando apenas ruínas daquele passado glorioso registrado em Atos. Hoje, existe menos de 1% de cristãos naquela região. Hoje, estamos em Pérgamo, e aqui veremos o que levou aquelas igrejas morrerem.

I. PÉRGAMO, O TRONO DE SATANÁS
1. Pérgamo, a cidade dos livros e da ignorância espiritual.
Com a ajuda dos romanos, Pérgamo ganhou independência dos selêucidas em 190 a.C., e passou a fazer parte do império romano a partir de 133 a.C. Durante mais de 200 anos, foi a capital da província romana da Ásia. Teve a maior biblioteca fora de Alexandria, Egito. Foi o povo de Pérgamo que começou a usar peles de animais para fazer pergaminho (Gr pergaméne; Lt. Pergamina ou pergamena), substituindo o papiro (Lt. Papyrus; Gr. Πάπυρος). A Biblioteca de Pérgamo foi fundada por Atalo I (241-197 a.C.), rei de da cidade de Pérgamo, como resposta ao enorme sucesso da Biblioteca de Alexandria. A rivalidade entre as duas leva o Egito a cortar-lhe o fornecimento de Papiro. Tal obrigou à procura de alternativas, sendo apreciadas as peles de animais, que até eram mais resistentes e duráveis. Mas estas eram um recurso caro e escasso, o que levou ao desenvolvimento de tecnologia para a sua otimização e reutilização, dando origem a um novo suporte, o pergamene, ou pergaminho. Em 30 a. C., Marco Aurélio ofereceu o espólio da biblioteca de Pérgamo a Cleópatra do Egito, que a transportou para Alexandria e ali foi destruída por ordem do Califa Omar, em 640 d.C. A igreja em Pérgamo se encontrou numa situação difícil. Por todos os lados, os vizinhos praticavam idolatria e deram honra aos governantes romanos. Os cristãos não abandonaram a verdade do Senhor, o único verdadeiro Soberano. Mas, tanta influência de falsas doutrinas teve um impacto negativo na igreja, poluindo a congregação com doutrinas falsas que incentivavam os irmãos a praticaram idolatria e imoralidade. Jesus chama a igreja ao arrependimento para evitar o castigo divino.
2. A igreja em Pérgamo.
Recebeu o cristianismo, provavelmente, no fim da segunda viagem missionária de Paulo, que deixara Priscila e Áquila em Éfeso (At 18.18,19). Em sua terceira viagem, ele permaneceu nesta cidade por quase três anos e o Evangelho se disseminou por toda a província romana da Ásia (At 19.10). Esta Igreja era uma Igreja fiel ao nome de Cristo, até ao ponto de martírio (v. 13). Para os cristãos era difícil viver neste lugar. Como poderiam eles chamar “salvador do mundo” à Zeus, quando havia só “Um Salvador”, ou prestar-lhe culto? Como poderiam os cristãos queimar incenso a César e dizer “César é o Senhor”, quando havia “somente um Senhor, Jesus Cristo”? O Cristo glorificado elogia a perseverança dos crentes de Pérgamo, que foram fiéis à fé, mesmo sob intensa perseguição.
II. A ESPADA DE DOIS GUMES
1. A espada afiada de dois gumes.
Aquele que tem a espada afiada de dois gumes (v. 12): A espada representa autoridade e o poder para julgar e castigar. É Jesus, e não o governo romano, que segura esta espada (1.16). Pérgamo acolheu o erro, através de homens de mente corrupta que a infestaram. Cristo resolve pelejar contra eles com a palavra da sua boca. Jesus se identifica como “aquele que tem a Espada Aguda de Dois Fios”. Temos aqui um duplo simbolismo:
a) Pode referir-se ao poder de Cristo para proteger os seus, mesmo no meio da perseguição e onde os mártires estivessem caindo;
b) Pode ser símbolo do poder do julgamento bem executado. A Igreja estava dando guarida ao erro e Cristo vem com a “Espada de Dois Gumes”, que sai da sua boca, para julgar e condenar os falsos doutores. A “Espada de Dois Gumes” é a própria Palavra de Deus. João estava expressando com esta verdade o contraste entre o governo romano, que governava pelo poder da espada, e o fato de Cristo realmente ter o poder da soberania: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12). Paulo, metaforicamente, utiliza a vestimenta do soldado romano para descrever a armadura do cristão, refere-se à “…a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.17). Trata-se de uma poderosa arma que se projeta sobre os corações, “penetra até à divisão da alma e do espírito” (Ap 19.21) e “serve para penetrar, dividir, desnudar, inspirar, ensinar, buscar, converter, salvar e santificar”… (2Tm 3.15-16). É, ainda, pela Palavra que Deus julga tanto os seus quanto os inimigos de seu povo: “Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (1Pd 4.17).
2. Manejando bem a espada do Espírito.
Tanto Pérgamo quanto Tiatira deram guarida à perniciosa doutrina de Balaão e se corromperam tanto na teologia como na ética. Uma igreja não tem antídoto para resistir a apostasia e a morte quando a verdade bíblica e a pureza doutrinária são abandonadas. Temos visto esses sinais de morte em muitas igrejas na Europa, América do Norte e também no Brasil. Algumas denominações histórias capitularam-se tanto ao liberalismo como ao misticismo e abandonaram a sã doutrina. O resultado inevitável foi o esvaziamento dessas igrejas por um lado ou o seu crescimento numérico por outro, mas um crescimento sem compromisso com a verdade e com a santidade. Só através da leitura atenta e do estudo da Bíblia que iremos conhecer a vontade de Deus para nossas vidas. Quem não estuda a Bíblia não sabe o que Deus quer para sua vida, pois só na sua Palavra encontramos a verdade. “Ser um cristão é ser um guerreiro. O bom soldado de Cristo não deve esperar tranquilidade neste mundo – ele é um campo de batalha! Nem deve ele se apoiar na amizade com o mundo, pois isso seria inimizade contra Deus. Sua ocupação é a guerra. Enquanto ele põe, peça por peça, a armadura que lhe foi dada, ele deve sabiamente dizer a si mesmo: Isso me avisa do perigo; isso me prepara para a batalha; isso profetiza oposição” – Charles Haddon Spurgeon. Esta é a arma que todo crente deve portar para todos os combates – “Tomai a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus“. O crente deve vencer todo tipo de inimigo, mas essa arma é tudo o que nós precisamos! Caso queiramos vencer o pecado e derrotar a incredulidade, p o evangelho, invistamos em Missões, para que todo o mundo ouça esta mensagem: “Olhem para Mim, e sejam salvos, todos os confins da terra!”
III. O DESTINATÁRIO
1. Um anjo numa cidade infernal.
Quem era esse anjo da Igreja a quem o Senhor se referia? É claro que um anjo celestial não poderia ser, pois os tais foram proibidos de pregar o evangelho (1Pe 1.12). Esse anjo, que era o Pastor da Igreja, pois a palavra “anjo” quer dizer “mensageiro” e é exatamente o que o Pastor é na sua função – um mensageiro. Sei onde habitas – Deus é Onisciente (sabe tudo), Onipotente (tem todo poder), Onipresente (está em todos os lugares). Não há nada que possa ficar encoberto ao Senhor, antes, tudo lhe é patente: “Todos os nossos dias estão em suas mãos e já haviam sido predeterminados por Deus” (Sm 139.14-16); ele conhece o nosso caminho (Jó 23.10). Deus conhece todas as coisas e esse atributo de Deus os homens temem porque fala-nos que Deus está perscrutando a terra com seu olhar de fogo consumidor. Atos 15.18: “diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos.” Deus conhece tudo a respeito do mundo que ele criou e trouxe à existência. Precisamos resgatar o conceito do atributo de onisciência de Deus neste mundo. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (Ap 2.13). “A sã doutrina bíblica não somente deve ser ensinada mas também agarrada com profunda convicção (cf. 1 Tm 4:6; 5:17; 2 Tm 2:15; 3:16,17; 4:2-4). Exortar e convencer – O ensino fiel e a defesa das Escrituras que encoraja a piedade e confronta o pecado e o erro”
2. O testemunho e a perseverança de um anjo.
A função do Pastor é de instruir o povo na Palavra de Deus (I Tm 3; II Tm 2.15; Tt 1.6-9). O pastor não deve falar ou ensinar suas próprias filosofias, mas sim ser fiel ao ensinamento da Palavra de Deus. Fica claro que esse mensageiro(o pastor ou líder local) tem uma responsabilidade muito séria diante de Deus. Isso serve de alerta aos que lideram, mas não se esmeram em aprender a Palavra. Que Deus faça de nós (os Líderes) homens fiéis à Palavra como os anjos celestes são. É isso o que Deus quer nos falar aqui. É como se o nosso Deus dissesse: “Transmitam a minha Palavra com a fidelidade de um anjo”. Onde está o trono de Satanás – Isto sem dúvida é uma referência à seita pagã babilônica, ocultista, que mudou-se para Pérgamo, vinda de Babilônica (o centro do espiritismo nos tempos primitivos), quando os conquistadores persas dominaram o mundo. Vemos assim, que quando o diabo não consegue enfraquecer a Igreja pela perseguição e sofrimento (V.10), procura fazê-lo pela corrupção da fé, adulterando a Palavra de Deus e semeando falsas doutrinas. “Antipas” mencionado por seu nome, por Jesus, indica que Deus conhece os seus pelo nome, o que indica carinho e atenção pessoal.
3. Antipas, a fiel testemunha.
Antipas é descrito como um mártir da fé cristã; uma “testemunha fiel” de Cristo Jesus, que morava e ministrava onde Satanás tinha a sua sede (Pérgamo). Segundo a tradição cristã, o apóstolo João ordenou a Antipas como bispo de Pérgamo durante o reinado do imperador Domiciano. Um relato tradicional da igreja cristã ortodoxa oriental, afirma que Antipas era o Bispo da igreja em Pérgamo, e que ele foi martirizado por sua fé, por causa de seu fiel testemunho face os ardis satânicos ali presentes: “Quando Antipas foi aconselhado: “Antipas, o mundo inteiro está contra você!”, Antipas supostamente respondeu: “Então eu sou contra todo o mundo!” Assim, porque Antipas recusou a renunciar sua fé em Cristo Jesus, foi supostamente assado vivo em um touro em tamanho real, que tinha uma fogueira sob o seu ventre. Entre estes relatos de fontes extra-biblicas e a opinião como está em nossa revista, parece- me ser mais razoável acatar a penúltima, por ser mais condizente com o próprio relato. creio ser mais plausível aceitar que Antipas tenha morrido vítima de perseguições anti-cristãs, e não pelos “que se diziam irmãos”. Aquela igreja não era o trono de Satanás, ela conservava o nome de Cristo, pois não havia renegado a fé (v. 13). No entanto o Senhor dirige-se a ela em termos de juízo fulminante. Ele é aquele que tem “a espada afiada de dois gumes” (2.12), isso porque existiam ali dois problemas que exigiam solução imediata: a) a cosmovisão (o modo como olhamos o mundo) dos cristãos de Pérgamo era fragmentada; b) havia, por parte de alguns, tolerância a uma teologia sincretista que resultava em idolatria e práticas imorais.
IV. AS HERESIAS DE PÉRGAMO
1. Doutrina de Balaão.
Por não poder “amaldiçoar” o povo de Israel, Balaão tentou destruí-lo levando seus homens a manterem relações sexuais com as mulheres moabitas, manchando a sua santidade (Nm 25.1-3). Favorecia o incesto (união ilícita entre parentes próximos) e o jugo desigual (Nm 25; 2Co 6.15-18). Nos capítulos 22 a 25 e 31.6 de Números, descobriremos seu modo sutil de colocar as ideias. O “quem sabe…” ou o “talvez…” continuam a ser atuais. O Senhor censurou o Pastor daquela Igreja por sua tolerância diante de tal heresia. Ele (anjo) fora ali colocado à frente do rebanho não só para presidir, mas também para admoestar (1Ts 5.12). Ele devia ter zelado pelo cumprimento da sã doutrina e aplicado a disciplina, se os faltosos não tomassem uma atitude de acordo com a Palavra de Deus (Mt 18.18; 2Ts 3.14).
2. A doutrina dos nicolaítas.
A Bíblia não identifica esta doutrina. Mas, diz que Jesus odiava as obras dos nicolaítas e elogia os efésios por rejeitar esses ensinamentos (2.6). Infelizmente, a igreja em Pérgamo tolerava esses falsos mestres. Alguns defendem que praticavam a mesma heresia dos discípulos de Balaão. para que os cristãos vivesse imoralmente, para poderem viver com os romanos e não serem perseguidos. Eles consideravam natural, e portanto inofensivo e lícito, o comer coisas sacrificadas aos ídolos e a fornicação por ser o sexo uma coisa criada pelo próprio Deus e, portanto, inteiramente despido de maldade (Gn 2.18; 1Co 10.19-21; At 15.23-29). O fundador da seita fora Nicolau, um dos sete diáconos de Jerusalém (At 6.5), que se desviou e começou a ensinar que os atos dos homens não os afastavam de Deus. Era o “não faz mal…” (Ml 1.8 ) ou “os outros também fazem assim…” dos nossos dias.
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