Subsidio Doutrinario Para Escola Biblica Dominical Pela Cpad


 

(I. introdução)

“ESMIRNA’’ significa ‘’AMARGURA OU SOFRIMENTO’’. Esta palavra corresponde à substância MIRRA, que tornou-se símbolo da morte do Senhor (Jo 19.30). Esta igreja nos oferece um paradoxo: Esmirna era uma cidade rica e opulenta, mas a igreja era pobre e padecia das mais sórdidas calúnias e perseguições. Não obstante isso, era rica espiritualmente (“Mas tu és rico,” — v.9). Sofria perseguição pelos que se diziam judeus, mas aos olhos daquele que tudo vê, apreciada e elogiada. A perseguição jamais cessou, ela continua impiedosa, quer culturalmente, quer institucionalmente. No caso da Igreja de Esmirna Deus permitiu uma tribulação de dez dias: Ele determinou um tempo bem curto de permissivo sofrimento, pois Deus não nos deixa vir lutas e sofrimentos que não possamos suportar (I Co 10.13). Compartilhemos o testemunho de Esmirna. Mesmo pressionada pelo inferno, soube como manter-se nas regiões celestiais em Cristo Jesus.

I. ESMIRNA, UMA IGREJA MÁRTIR

1. Esmirna, uma cidade soberba. Esmirna (Gr. Σμύρνη/Smýrni), atua Izmir, situada no sudoeste da atual Turquia, na região do Mar Egeu, a 56 quilômetros ao norte de Éfeso. Atualmente, é a terceira maior cidade da Turquia. A cidade conta mais de cinco mil anos de história, sendo uma das cidades mais antigas da bacia do Mediterrâneo. A cidade original foi estabelecida por volta do terceiro milênio a.C., quando compartilhou com Tróia a cultura mais importante da Anatólia. Ela era a mais esplêndida das sete cidades, e o orgulho da Ásia e era também afamada por seu porto e pela mirra que produzia. Utilizada na conservação de cadáveres, a essência era obtida espremendo-se a madeira da commiphora myrrha. Nesta cidade, desenvolveu-se a adoração ao Imperador, e os crentes dali sofreram imensamente por recusarem prestar culto a César. Durante o domínio romano, tornou-se um centro de idolatria oficial, conhecida como Guardiã do Templo (Gr. neokoros). Foi a primeira cidade da Ásia a construir um templo para a adoração da cidade (deusa) de Roma (195 a.C.). Em 26 d.C., foi escolhida como local do templo ao imperador Tibério. Na condição de centro religioso, em Esmirna eram adorados os deuses Cibele, Apolo, Asclépio, Afrodite e Zeus. Foram descobertas imagens, na praça principal da cidade, de Posêidon (deus grego do mar) e de Deméter (deusa grega da ceifa e da terra). Na época do Novo Testamento, Esmirna provavelmente tinha uma população de aproximadamente 100.000 habitantes. Por ser um porto excelente, facilitando o comércio entre a Ásia e a Europa, era uma cidade próspera.

2. A igreja em Esmirna. Informa Lucas que, durante o período em que Paulo ficou em Éfeso, na sua terceira viagem evangelística, “todos os habitantes da Ásia” ouviram o evangelho de Jesus (At 19.10). Pedro incluiu os eleitos e forasteiros da Ásia entre os destinatários de sua primeira carta (1Pe 1.1). É bem possível que a igreja em Esmirna, esteja incluída nestas citações. Mas, a primeira vez que ela é identificada por nome é nas citações no Apocalipse. Por isso, não temos informações específicas sobre esta igreja, além dos quatro versículos desta carta ao anjo da igreja em Esmirna. O pouco que sabemos é positivo. Esta carta elogia e encoraja, sem oferecer nenhuma crítica dos cristãos em Esmirna. Um dos mais notáveis bispos de Esmirna foi Policarpo (69-155 d.C). Diante do carrasco romano, não negou a fé em Cristo. Policarpo de Esmirna (c. 69 — c. 155) bispo de Esmirna no segundo século. Morreu como um mártir, vítima da perseguição romana, aos oitenta e seis anos. É reconhecido um dos grandes Pastores Apostólicos, ou seja, pertencia ao número daqueles que conviveram com os primeiros apóstolos e serviram de elo entre a Igreja primitiva e a igreja do mundo greco-romano. Policarpo foi ordenado bispo de Esmirna pelo próprio João. Com a perseguição, o bispo de 86 anos, escondeu-se até ser preso e levado para o governador, que pretendia convencê-lo de negar a Cristo. Diz a história que no ano 155, em Esmirna, o procônsul romano, Antonino Pio, e as autoridades civis tentaram persuadi-lo a abandonar sua fé em sua avançada idade, a fim de alcançar sua liberdade. Policarpo, porém, proferiu estas palavras: Há oitenta e seis anos sirvo a Cristo e nenhum mal tenho recebido Dele. Como poderei negar Aquele a quem prestei culto e rejeitar o meu Salvador?” […] Ameaça-me com fogo que queima por um momento e logo se extingue, pois nada sabes do julgamento que virá e do fogo da punição eterna reservada para os perversos. Mas, por que te demoras? Faze o que desejas”[1].

3. Esmirna, confessante e mártir. A igreja em Esmirna era confessional e mártir. Em Esmirna, os crentes eram dolorosamente esmagados sob as rígidas cláusulas da lei romana. Eram arrancados de suas casas, capturados nas feiras livres e levados cativos. César jogava toda a força de seu poderoso império sobre esta pequena igreja. E muitos desses santos já haviam selado seus testemunhos com o próprio sangue. Professando a Cristo, demonstrava estar disposta a sustentar-lhe o testemunho até o fim; sua fidelidade ao Senhor era inegociável (Ap 2.10). Em 81 d.C, assume o poder o mais cruel e insano dos imperadores, Domiciano, e logo inicia uma segunda onda de perseguição contra os cristãos, esta que é aquela perseguição a que Jesus se refere na carta à Esmirna.

II. APRESENTAÇÃO DO MISSIVISTA

Esmirna era uma igreja pobre e perseguida localizada em uma bela cidade de grandeza comercial e opulência, com uma grande população judaica. Para os cristãos, adorar a César era uma traição ao Rei dos reis. […] Ao invés de declarar: ‘César é Senhor’, os primeiros cristãos bravamente confessavam: ‘Cristo é Senhor!’ Como resultado, passou a Igreja a sofrer dolorosamente. A essa igreja ameaçada, apresenta-se Jesus como a própria eternidade: “Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (Ap 2.8). Nem a morte pode separar-nos do amor de Deus (Rm 8.35).

1. O Primeiro e o Último. Primeiro (Gr. Protos; superlativo de pros: antes de, acima de), significando “o primeiro de todos” – em tempo, lugar, ordem e importância. Último (Gr. Eschatos, o extremo mais distante, com sentido de lugar e tempo). A expressão grega ho prótos kai ho eschatos, o Primeiro e o Último, com referência ao Messias glorificado, encerra o sentido de eternidade. Seu equivalente é o termo Alfa e Ômega de 1.8; a primeira e a última letras gregas, declaram que Deus é tudo, de A a Z, tem o controle sobre a história, seu poder é absoluto (Is 44.6). Ele é Alfa (Criador) e Ômega (aquele que introduz no novo céu e nova terra). Seu senhorio é latente no passado, no presente e no futuro, como sugerido pelo “que é… que há de vir” (Rm 8.18-25).

2. Esteve morto e tornou a viver (Ap 2.8). Quase igual a afirmação de 1:18, esta frase destaca a vitória sobre a morte na ressurreição. Na situação dos discípulos de Esmirna, encarando perseguições difíceis, seria especialmente importante lembrar da ressurreição de Jesus. O Senhor deles não fracassou diante da morte; ele a venceu! Eles, sendo fiéis, teriam a mesma esperança.

III. AS CONDIÇÕES DA IGREJA EM ESMIRNA

1. Tribulação (Ap 2.9). O Cristo glorificado passeia pelo meio dos candeeiros, viu o sofrimento de seus seguidores e da mesma maneira que ele se compadeceu dos angustiados na terra durante o seu ministério (veja Marcos 1:41), ele olhou com compaixão para aqueles que sofriam em Esmirna. Mesmo assim, ele não os poupou de toda a dor (2.10). A palavra “tribulação”, aqui, significa pressão que vem de fora. A palavra tribulação (Gr. thlipsis), significa esmagar um objeto, comprimindo-o. Descreve a vítima sendo esmagada, e seu sangue, extraído. Descreve pessoas esmagadas até a morte por uma enorme pedra. Também descreve a dor duma mulher ao dar à luz a filhos. Deus permitiu uma tribulação de dez dias, ou seja, Ele determinou um tempo bem curto de permissivo sofrimento, pois Deus não nos deixa vir lutas e sofrimentos que não possamos suportar (ICo 10.13).

2. Pobreza. Se Laodiceia de nada tinha falta, Esmirna carecia de tudo. O próprio Senhor reconhece-lhe a extrema pobreza: “Conheço a tua (…) pobreza” (Ap 2.9). Apesar de morarem numa cidade próspera, os crentes de Esmirna eram materialmente pobres , talvez em virtude da fé abraçada, fossem alvo de discriminação, e assim se tornaram pobres. É bem possível, também, que tivessem sacrificado seus recursos em prol do evangelho, como os macedônios fizeram para ajudar os irmãos necessitados alguns anos antes (2Co 8.1-9). Mas a pobreza material não tem importância quando há riqueza espiritual. Complementa o Cristo: “Mas tu és rico”. Sim, ela era rica, pois fora comprada por um elevadíssimo preço: o sangue de Jesus (1 Pe 1.18,19).

3. Ataques dos falsos crentes. “…e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás” (Ap. 2:9). A pergunta nesse texto é “QUEM SÃO ESSES JUDEUS?’’ Cremos que não sejam simplesmente o povo da Judéia ou os da raiz de Judá, mas também uma classe de pessoas religiosas e legalistas. Esses estão sempre no meio da Igreja tentando de alguma maneira atrapalhar a liberdade que nos é concedida na graça de Deus. Os tais estão sempre inventando alguma doutrina para tirar a paz e o sossego do irmãos, jogando uns contra os outros. Vemos claramente esses judeus atuando nos dias de hoje, arvorando assim: “Jesus já nos libertou com seu sacrifício na cruz, mas se você continuar desobedecendo o Sábado e comendo carne de porco vai ser aniquilado”; “Você minha irmã se continuar aparando as pontas do cabelo vai acabar indo para o inferno”; “Jesus nos deu poder, mas você tem que espalhar sal grosso pela sua casa se não o demônio não vai embora”. Essas e muito mais estão sendo espalhadas por ai, colocando julgo sobre as pessoas, impedindo-as de serem felizes na Graça do Senhor. Leiamos: “Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne (Cl 2.20-23). O Senhor declara que esses legalistas são da sinagoga de satanás e nos orienta a ficar longe deles. A declaração “Sinagoga de satanás” é dita pelo fato do desprezo que esses legalistas demonstram pela Graça (favor imerecido vindo da parte de Deus), jogando-a. Sabemos que a obra da cruz é a maior obra já realizada em favor do homem, sendo que o mesmo já não precisa fazer mais nada para ser salvo, só aceitar o que já está feito: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). [Prof. João Flávio Martinez – http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1176&menu=7&submenu=3%5D.

4. Os crentes em prisão. O conforto oferecido por Jesus não é o livramento do sofrimento. Ele anima os discípulos em Esmirna a não desistirem por causa das tribulações que viriam logo. Covardes não têm esperança em Cristo (Ap 21.8). Pessoas que fogem da sua responsabilidade diante de Jesus por medo de sofrer não são dignas da comunhão com ele. Pessoas que ensinam que o servo fiel será próspero e livre de sofrimento nesta vida não acreditam nas palavras que Jesus mandou à igreja em Esmirna! O efeito da tribulação seria o de provar a fé desses cristãos. A sua lealdade a Cristo seria testada sob ameaças de morte. Mas a perseguição não continuaria para sempre.

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